Crase regra única

1 – CRASE

A palavra crase vem do grego krasis e significa fusão, junção. Assim, há crase quando há fusão com vogais idênticas (a+a). Tal fusão é indicada, na escrita, por meio do acento indicativo de crase: à.

Sempre haverá crase quando ocorrer a fusão da preposição com:

– o artigo feminino a ou as:

Fui a a escola = Fui à escola.

– o pronome demonstrativo a ou as:

Esta bolsa é igual a a que eu tinha.

Esta bolsa é igual à que eu tinha.

– o a dos pronomes aquele, aquela, aquilo:

Fui a aquela escola = Fui àquela escola.

– o a do pronome relativo a qual ou as quais:

A prova a qual nos referimos é esta.

A prova à qual nos referimos é esta.

CASOS EM QUE SE DÁ A CRASE

I – Teste do artigo ou regra do “ao”: Leva acento o a que vier antes de nome feminino, quando este puder ser substituído por palavra masculina (não necessariamente equivalente). #macete

Ex: Daqui se vê a distância. Daqui se vê ao longe. // Vou à escola.  Vou ao colégio. //Vou sair à tarde. Vou sair ao entardecer. // Submeto o processo à opinião do Conselho. Submeto o processo ao parecer do Conselho.

II – Leva acento o a que antecede palavra feminina, quando, com exatidão, puder se substituído pelas contrações na, da, pela, bem assim pelas seguintes preposições seguidas de artigo: com a, para a, sob a, sobre a#macete

Ex: Permanecia à (na) porta. // Tirai à (da) vida dos santos os bons exemplos. // Todos os bens sacrificou à (pela) educação da filha. // Agitou-se à (com a) voz da esposa. // Passou da euforia à (para a) depressão. // Deixou os filhos à (sob a) proteção de Deus. // Lançou muita água benta às (sobre as) beatas ajoelhadas.

III – Leva acento o a que precede nome de lugar feminino, colocado depois de verbos de movimento que puderem ser substituídos por outros de quietação e repouso, e quando, neste caso, se puder usar a partícula na.

Ex: Fui à escola.  Fiquei na escola. // Iremos à reunião. Ficaremos na reunião.

Observações:

a) Os topônimos (nomes próprios de lugar) às vezes são determinados por artigo; às vezes não o são. Por exemplo:

Com artigo a África, a América, a Ásia, Europa, a França, Argentina, China, aItália, Bahia, as Antilhas, as Filipinas; Gávea, Penha, etc.

Ex: Iremos à África, à América, à Ásia; depois à Europa, à França, à Argentina, às Antilhas, às Filipinas, etc.// Iremos à Gávea e a seguir à Penha, etc.

Sem artigo: Atenas, Cuba, Honduras, Madri, Mônaco, Paris, Portugal, Roma; Alagoas, Belém, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Minas Gerais, Natal, Niterói, Sergipe, São Gonçalo, São Paulo; Copacabana, Ipanema, Grumari, etc.

Ex: Viajaremos a Atenas, a Cuba, a Madri, a Roma, etc. Depois iremos a Brasília, a Natal e a Niterói e, finalmente, a Copacabana e a Grumari, etc.

#DICA : Faça o seguinte teste prático:

– Se vou a e volto da, crase há. Se vou a e volto de, crase pra quê? #macete

Ex: Vou a Vitória = Volto de Vitória (volto de, crase pra quê?)

Vou à Vitória da terceira ponte.

Neste último caso, quando o topônimo estiver seguido de um complemento especificativo, é obrigatório o emprego da crase.

Ex: Gostei de ir à Atenas de Sócrates. // Vou à Roma dos Césares. // Foi à Paris da Torre Eifel. // Iremos à Cuba de Fidel Castro, etc.

b) Na palavra casa, referindo-se a “prédio”, “edifício”, “estabelecimento comercial”, “instituição”, e com o significado determinado, leva crase o a que a precede.

Ex: Fui à Casa de Rui Barbosa. // Iremos à Casa França-Brasil. // Voltarei à casa materna. // Vou à casa de meu irmão.

Entretanto, se houver referência à “própria morada”, “lar”, “residência”, o a que a precede não leva crase

Ex: Voltei a casa.

c) A crase sempre será empregada quando a palavra terra indicar planeta, ou terra natal.

Ex: O agricultor tem amor à terra. // Voltarei à terra querida. // Viajarei em breve à terra de heróis.

Contudo, se a palavra for tomada em sentido oposto à expressão a bordo, não é acentuado o que a precede.

Ex: Os passageiros do navio não dispunham de tempo de irem a terra. // Os marinheiros voltaram a terra.

Quando a palavra terra indicar chão, terra firme, ela só vai aceitar a crase se estiver acompanhada de uma palavra que a determine, por exemplo.

Os turistas chegaram a terra. (sem o uso de crase)
Os turistas chegaram à terra dos índios. (com o uso de crase)

IV. Palavra feminina oculta.

Ex: Esta conferência é igual à (conferência) que você escreveu. Este discurso é igual ao (discurso) que você escreveu. // A soma deve ser igual à (soma) do recibo. O total deve ser igual ao (total) do recibo.

V – Leva crase o inicial dos demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo, sendo estes demonstrativos substituídos, respectivamente, por a este(s), a esta(s), a isto.

Ex: Fazia referência àquele cidadão. Fazia referência a este cidadão. //Daremos trabalho àqueles homens. Daremos trabalho a estes homens. // Dirigiu-se com voz alta àquela aluna. Dirigiu-se com voz alta a esta aluna. // Entregou-se totalmente àquelas tarefas. Entregou-se totalmente a estas tarefas. // Dedicou-se àquilo com afinco. Dedicou-se a isto com afinco.

VI – Acentua-se o a posterior a determinados verbos de regência variada para evitar-se ambigüidade.

Ex: Bater à porta – dar pancadas para se abrir a porta. Bater a porta – fechar a porta. // Correr às grades – ir para perto das grandes. Correr as grades – fechar as grades. // Matar à fome – impor falta de alimentos a alguém. // Matar a fome – dar de comer, saciar. // Vender à vista – efetuar o pagamento no ato da compra. Vender a vista – Vender a paisagem, o quadro.

VII – Acentua-se o em locuções femininas (adverbiais, prepositivas, conjuncionais):

à arma branca; à baila (a propósito); à bala; à banda (de parte a parte); à bandoleira; à bolina; à beça; à beira de; à boca pequena (em voz baixa, em segredo); à caça; à cata de; à chave; à colação; à conta de; à cunha (lotado de pessoas); à deriva (sem rumo); à direita; à discrição; à disposição – à disposição de; à distância; à doida; à escâncara – às escâncaras; à enxada; à escuta; à espreita; à esquerda; à exceção de; à falta de; à farta; à feição de; à fina força; à foice; à flor de (à superfície de); à fome, à força de; à francesa; à frente – à frente de; à fresca; à gandaia (sem sentido); à garra (á deriva); à grande (à larga); à guisa de (à maneira de); à imitação de; à larga; à luz (dar à luz); à mão – às mãos; à mão armada; à maneira de; à margem; à matroca (sem rumo); à medida que; à mercê de; à míngua (na miséria, em penúria); à míngua de (à falta de); à minuta; á moda de; à moda, à noite; à paisana; à parte; à porfia (à disputa) à pressa – às pressas; à primeira vista; à procura de; à proporção que; à prova de; à puridade (em segredo, em particular); à queima roupa; à rédea solta; à revelia; a risca; à roda – à roda de; à saciedade; à semelhança de; à socapa (disfarçadamente); à solta; à sorreita (furtivamente); à sorte; à sujeição; à surdina; à tarde; à tesoura; à toa; à toda; à tona; à traição; à tripa forra (à larga, em grande quantidade); à ultima hora; à uma (ao mesmo tempo, conjuntamente); à unha; à vaca fria; à vara; à vela; à ventura (ao acaso) ; à vista – à vista de; à viva força; à volta de; à vontade; às apalpadelas; às avessas; às boas; às cegas; às claras; às direitas; às escondidas; às furtadelas; às moscas; às ocultas; às ordens; às tontas; às turras; às vezes (por vezes, algumas vezes), etc.

#ATENÇÃO As expressões à moda, à maneira, desde que sejam locuções adverbiais, provocam o fenômeno da crase, mesmo estando subentendidas e antes de palavra masculina.

#ATENÇÃO BIFE A CAVALO, À MILANESA

BIFE A CAVALO – Sem crase. Usa-se crase quando se pode entender “à moda de”, como é o caso de “bife à milanesa” (à moda de Milão), “bife à portuguesa” (à moda de Portugal), “bife à Camões” (à moda de Camões), etc.

CASOS DE EMPREGO FACULTATIVO

I. Antes de pronome possessivos femininos: minha(s), tuas(s), sua(s), nossa(s), vossa(s).

Ex: Quero retornar à minha terra ou a minha terra. (… ao meu país ou a meu país). // Prestou atenção à sua oração (ou a sua oração). (… a seu discurso.)

No entanto, no plural o s indica a presença de artigo; logo, havendo preposição a, haverá crase. Ex: Continuo fiel a minhas convicções ou … às minhas convicções.

#ATENÇÃO: Quando o nome estiver particularizado por um adjetivo, a crase se torna obrigatória.

Referia-me à simpática Andréia.

II. Antes de nome próprio feminino:

Refiro-me à (a) Sofia.

#MUITA ATENÇÃO:

a) Num tratamento cerimonioso, não haverá acento crase. Ex. Marilda, com respeito.

b) Num tratamento íntimo, haverá acento crase. À Lucinha, com afeto.

III. Depois da preposição até:

Fui até à quitanda. // Fui até a quitanda.


CASOS EM QUE NÃO OCORRE CRASE

I. Antes de verbo.

Ex: Ele está apto a dirigir.

II. Antes de substantivos masculinos.

Ex: Vendas a crédito. // Abateu-o facão. // É bom andar a pé. //Vou a Portugal.

Frise-se que se houver palavra feminina subentendida, isto é, quando, embora omissa, esteja expressa pelo artigo a, haverá crase. Ex: Foi à São José (Casa de Saúde) para visitar um parente. // Salto à Luiz XV (à moda de Luiz XV).

III. Antes de pronomes pessoais, relativos (a quem, a cuja), demonstrativos (exceto: aquela, aquela, aquilo) e indefinido.

Entreguei meu carro a este segurança. // Quero que todos obedeçam a ela. // Não vou mostrar a nenhum de vocês. // Dê seu coração a quem merece

IV. Antes de sujeito oracional, mesmo que feminino.

Ex: Acuada, a caça fugiu rapidamente.

V. Que antecede a verbos no infinitivo.

Ex: Começou a falar. // Preço a combinar. // Contrato a assinar.

VI. Antes de pronomes pessoais (casos reto e oblíquo): Dei ele um presente. “Mas não servia ao pai servia ela” (Camões). mim me parece justo. ti peço desculpas.

Ex: A nós entregou o recibo. // A vós entrego este tesouro.

VII. Antes de possessivo feminino que se pospõe a nomes de parentesco e pronomes de tratamento.

Ex: A minha mãe, estas flores. // Comunico a V. Exa. que… Encaminho a V. S.A. o presente requerimento. // Peço clemência a Vossa Majestade. // Dirijo-me a Vossa Mercê, a vosmecê, a você…

Fazem exceção: Dona, Madama, Senhora e Senhorita. Ex. À senhora rogo-lhe paciência. // Dedico à senhorita Rosana estas páginas.

Outros exemplos de pronomes que repelem o artigo:

Fiz alusão a ela. // Isso não pertence a ninguém.

VIII. Antes das palavras: alguém, alguma(s), cada, certa(s), determinada(s), cuja(s), essa(s), esta(s), muita(s), nada, nenhuma(s), ninguém, outra)s), pouca(s), qualquer, quaisquer, quanta(s), quem, tamanha(s), tanta, tal, toda(s), uma(s), várias.

Ex: Dirigiu-se a cada candidata sobre o assunto. // Aludiu a certa questão da prova. // Aquela casa, a cuja planta os arquitetos ficaram ligados… // Passo a essa diretoria o resultado dos exames. // Não era a pessoa a quem se referia. // A tanta dedicação jamais poderei dar o meu empenho. // A toda provocação corresponde uma tolerância.

IX. Em expressões formadas por palavras repetidas:

Ex: Cara a cara. // Face a face. // Frente a frente. // Gota a gota.

X. Que se acha sozinho antes de palavra no plural, em sentido indeterminado.

Ex: O depoimento foi tomado a folhas … // A palestra foi dirigida a pessoas cultas. // Matou-a a punhaladas.

XI. Antes de numerais cardinais relacionados a substantivos e tomados em sentido indeterminado.

Ex: Assisti a duas palestras. // Daqui a sete dias voltarei a te ver. // De dez a vinte deste mês saberemos dos resultados.

XII. Antes de artigos indefinidos.

Ex: Eu entreguei a uma atendente os meus documentos. // Conversava com o coordenador referente a um aluno.

XII. Antes de Nossa Senhora e de nomes de santas.

Ex: Em minhas orações recorro sempre a Nossa Senhora e a Santa Rita.

XIII. Quem vem depois das preposições: ante, após, com, contra, conforme, desde, durante, entre, mediante, para, perante, sob, sobre, segundo.

Ex: Ante a cena dantesca, ficou parado. // Após a conferência, saiu da sala. // Perante a autoridade, ficou calado//. Sob a proteção da lei, todos ficarão tranqüilos. Permaneceu sobre a rochadurante a tarde toda. // Segundo a opinião geral, a cena deveria terminar ali.

XIV. Antes de substantivos femininos usados em sentido indeterminado, rejeitando, por isso, o artigo definido. Por elegância de estilo, muitas vezes se omite o artigo definido uma que ficaria colocado antes do substantivo feminino, quase sempre antecedido de adjetivo.

Ex: O candidato foi submetido a rigorosa (a uma rigorosa) sabatina. // A empresa submeteu-se a meticulosa (a uma meticulosa) inspeção fiscal.

XV. Que vem antes de nomes de lugares (cidades, estados, países) – topônimos.

Ex: Quero chegar a Campinas ainda hoje.

XVI. Antes da palavra “casa”, quando se referir à própria morada, ao próprio lar.

Ex: Preciso voltar a casa.

XVII. Antes da palavra ”terra” em oposição a ”bordo”.

Ex: Os passageiros precisavam voltar a terra.

XVIII. Crases com pronomes relativos

a) Que, quem, cujo, cuja, cujos, cujas – JAMAIS admitem crase (porque não admitem artigo).

b) A qual, as quais – Admitem crase (porque aceitam artigo), quando regidos por um verbo (ou substantivo) que exija preposição “a”. Para se saber se há crase com o pronome relativo o qual e sua flexão as quais, basta que você troque o antecedente feminino por uma palavra masculina. Ser der ao haverá crase.

c) a que – neste caso, pode-se verificar se há ou não crase pelo recurso da substituição do antecedente feminino por uma palavra masculina.

Ex: Sua blusa era igual a que eu tanto desejava. Seu sapato era igual ao que eu tanto desejava.

(Se deu ao com o masculino, há crase).

Sua blusa era igual à que eu tanto desejava.

#ATENÇÃO Quando o a da expressão a que (preposição + relativo) corresponde ao qual, à qual, não leva acento.

O funcionário a que (ao qual) se refere o documento…

A funcionária a que (à qual) se refere o ofício…

A prova a que (à qual) se submeteu o candidato…

Referências:

http://www.filologia.org.br/soletras/1/04.htm

http://www.algosobre.com.br/gramatica/crase.html

http://www.colegioweb.com.br/portugues/crase

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Mais Crase:

Conceito: é a fusão de duas vogais da mesma natureza. No português assinalamos a crase com o acento grave (`). Observe:

Obedecemos ao regulamento.

                  ( a + o )

Não há crase, pois o encontro ocorreu entre duas vogais diferentes. Mas:

Obedecemos à norma.

                ( a + a )

Há crase pois temos a união de duas vogais iguais ( a + a = à )

 

Regra Geral:

Haverá crase sempre que:

I.                   o termo antecedente exija a preposição a;

II.                 o termo conseqüente aceite o artigo a.

 

Fui à cidade.

( a + a = preposição + artigo )

( substantivo feminino )

 

Conheço a cidade.

( verbo transitivo direto – não exige preposição )

( artigo )

( substantivo feminino )

 

Vou a Brasília.

( verbo que exige preposição a )

( preposição )

( palavra que não aceita artigo )

 

Observação:

Para saber se uma palavra aceita ou não o artigo, basta usar o seguinte artifício:

I.                   se pudermos empregar a combinação da antes da palavra, é sinal de que elaaceita o artigo

II.                se pudermos empregar apenas a preposição de, é sinal de que não aceita.

 

Ex:      Vim da Bahia. (aceita)

Vim de Brasília (não aceita)

Vim da Itália. (aceita)

Vim de Roma. (não aceita)

 

Nunca ocorre crase:

 

1) Antes de masculino.

Caminhava a passo lento.

(preposição)

 

2) Antes de verbo.

Estou disposto a falar.

(preposição)

 

3) Antes de pronomes em geral.

Eu me referi a esta menina.

(preposição e pronome demonstrativo)

 

Eu falei a ela.

(preposição e pronome pessoal)

 

4) Antes de pronomes de tratamento.

Dirijo-me a Vossa Senhoria.

(preposição)

 

Observações:

1. Há três pronomes de tratamento que aceitam o artigo e, obviamente, a crase:senhora, senhorita e dona.

Dirijo-me à senhora.

 

2. Haverá crase antes dos pronomes que aceitarem o artigo, tais como: mesma, própria…

Eu me referi à mesma pessoa.

 

5) Com as expressões formadas de palavras repetidas.

Venceu de ponta a ponta.

(preposição)

 

Observação:

É fácil demonstrar que entre expressões desse tipo ocorre apenas a preposição:

Caminhavam passo a passo.

(preposição)

 

No caso, se ocorresse o artigo, deveria ser o artigo o e teríamos o seguinte: Caminhavam passo ao passo – o que não ocorre.

 

6) Antes dos nomes de cidade.

Cheguei a Curitiba.

(preposição)

 

Observação:

Se o nome da cidade vier determinado por algum adjunto adnominal, ocorrerá a crase.

Cheguei à Curitiba dos pinheirais.

(adjunto adnominal)

 

7) Quando um a (sem o s de plural) vem antes de um nome plural.

Falei a pessoas estranhas.

(preposição)

 

Observação:

Se o mesmo a vier seguido de s haverá crase.

Falei às pessoas estranhas.

(a + as = preposição + artigo)

 

Sempre ocorre crase:

 

1) Na indicação pontual do número de horas.

Às duas horas chegamos.

(a + as)

 

Para comprovar que, nesse caso, ocorre preposição + artigo, basta confrontar com uma expressão masculina correlata.

Ao meio-dia chegamos.

(a + o)

 

2) Com a expressão à moda de e à maneira de.

A crase ocorrerá obrigatoriamente mesmo que parte da expressão (moda de) venha implícita.

Escreve à (moda de) Alencar.

 

3) Nas expressões adverbiais femininas.

Expressões adverbiais femininas são aquelas que se referem a verbos, exprimindo circunstâncias de tempo, de lugar, de modo…

Chegaram à noite.

(expressão adverbial feminina de tempo)

 

Caminhava às pressas.

(expressão adverbial feminina de modo)

 

Ando à procura de meus livros.

(expressão adverbial feminina de fim)

 

Observações:

No caso das expressões adverbiais femininas, muitas vezes empregamos o acento indicatório de crase (`), sem que tenha havido a fusão de dois as. É que a tradição e o uso do idioma se impuseram de tal sorte que, ainda quando não haja razão suficiente, empregamos o acento de crase em tais ocasiões.

 

4) Uso facultativo da crase

Antes de nomes próprios de pessoas femininos e antes de pronomes possessivos femininos, pode ou não ocorrer a crase.

Ex:      Falei à Maria.

(preposição + artigo)

 

Falei à sua classe.

(preposição + artigo)

 

Falei a Maria.

(preposição sem artigo)

 

Falei a sua classe.

(preposição sem artigo)

 

Note que os nomes próprios de pessoa femininos e os pronomes possessivos femininos aceitam ou não o artigo antes de si. Por isso mesmo é que pode ocorrer a crase ou não.

 

Casos especiais:

 

1) Crase antes de casa.

A palavra casa, no sentido de lar, residência própria da pessoa, se não vier determinada por um adjunto adnominal não aceita o artigo, portanto não ocorre a crase.

Por outro lado, se vier determinada por um adjunto adnominal, aceita o artigo e ocorre a crase. Ex:

Volte a casa cedo.

(preposição sem artigo)

 

Volte à casa dos seus pais.

(preposição sem artigo)

(adjunto adnominal)

 

2) Crase antes de terra.

A palavra terra, no sentido de chão firme, tomada em oposição a mar ou ar, se não vier determinada, não aceita o artigo e não ocorre a crase. Ex:

Já chegaram a terra.

(preposição sem artigo)

 

Se, entretanto, vier determinada, aceita o artigo e ocorre a crase. Ex:

Já chegaram à terra dos antepassados.

(preposição + artigo)

(adjunto adnominal)

 

3) Crase antes dos pronomes relativos.

Antes dos pronomes relativos quem cujo não ocorre crase. Ex:

Achei a pessoa a quem procuravas.

Compreendo a situação a cuja gravidade você se referiu.

 

Antes dos relativos qual ou quais ocorrerá crase se o masculino correspondente for ao qual, aos quais. Ex:

Esta é a festa à qual me referi.

Este é o filme ao qual me referi.

Estas são as festas às quais me referi.

Estes são os filmes aos quais me referi.

 

4) Crase com os pronomes demonstrativos aquele (s), aquela (s), aquilo.

Sempre que o termo antecedente exigir a preposição a e vier seguido dos pronomes demonstrativos: aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo, haverá crase. Ex:

Falei àquele amigo.

Dirijo-me àquela cidade.

Aspiro a isto e àquilo.

Fez referência àquelas situações.

 

5) Crase depois da preposição até.

Se a preposição até vier seguida de um nome feminino, poderá ou não ocorrer a crase. Isto porque essa preposição pode ser empregada sozinha (até) ou em locução com a preposição a (até a). Ex:

Chegou até à muralha.

(locução prepositiva = até a)

(artigo = a)

 

Chegou até a muralha.

(preposição sozinha = até)

(artigo = a)

 

6) Crase antes do que.

Em geral, não ocorre crase antes do que. Ex: Esta é a cena a que me referi.

Pode, entretanto, ocorrer antes do que uma crase da preposição a com o pronome demonstrativo (equivalente a aquela).

Para empregar corretamente a crase antes do que convém pautar-se pelo seguinte artifício:

I.                   se, com antecedente masculino, ocorrer ao que / aos que, com o feminino ocorrerá crase;

Ex:      Houve um palpite anterior ao que você deu.

( a + o )

Houve uma sugestão anterior à que você deu.

( a + a )

 

II.                 se, com antecedente masculino, ocorrer a que, no feminino não ocorrerá crase.

Ex:      Não gostei do filme a que você se referia.

(ocorreu a que, não tem artigo)

Não gostei da peça a que você se referia.

(ocorreu a que, não tem artigo)

 

Observação:

O mesmo fenômeno de crase (preposição a + pronome demonstrativo a) que ocorre antes do que, pode ocorrer antes do de. Ex:

Meu palpite é igual ao de todos.

(a + o = preposição + pronome demonstrativo)

 

Minha opinião é igual à de todos.

(a + a = preposição + pronome demonstrativo)

 

7) há / a

Nas expressões indicativas de tempo, é preciso não confundir a grafia do a (preposição) com a grafia do  (verbo haver).

Para evitar enganos, basta lembrar que, nas referidas expressões:

a (preposição) indica tempo futuro (a ser transcorrido);

há (verbo haver) indica tempo passado (já transcorrido). Ex:

Daqui a pouco terminaremos a aula.

Há pouco recebi o seu recado.

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