Nelson Cavaquinho

Biografia:

Nelson Antônio da Silva ( 181 ) Músicas
29/10/1911 Rio de Janeiro, RJ
18/2/1986 Rio de Janeiro, RJ

Penttágono

Compositor. Instrumentista. Cantor.
Nasceu na Rua Mariz e Barros, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro. O pai, Brás Antônio da Silva, era contramestre da Banda da Polícia Militar e tocava tuba. A mãe, Maria Paula da Silva, foi lavadeira do Convento de Santa Teresa. O tio, também músico, juntamente com o pai e amigos, organizava, aos domingos, rodas de samba em sua casa.
Por volta de 1919, a família, fugindo de aluguel, mudou-se para a Rua Silva Manuel, depois para a Rua Joaquim Silva, ambas na Lapa.
Frequentou a escola primária Evaristo da Veiga, abandonando o curso para trabalhar como eletricista.
Na Lapa, fez amizade com os então chamados “valentes” Brancura, Edgar e Camisa Preta. Mais tarde, adolescente, foi morar com a família no subúrbio de Ricardo de Albuquerque para, finalmente, se estabelecerem em uma vila operária do bairro da Gávea, onde frequentava os bailes dos clubes Gravatá, Carioca Musical e Chuveiro de Ouro, conhecendo músicos decisivos em sua formação, como Edgar Flauta da Gávea, Heitor dos Prazeres, Mazinho do Bandolim e o violonista Juquinha. Alguns desses músicos eram empregados de uma fábrica de tecido local. Do violonista Juquinha, receberia importantes noções de como tocar cavaquinho. Nesta época, Nelson Cavaquinho cunhou a sua marca e também a maneira peculiar de tocar o instrumento apenas com dois dedos, ganhando, a partir daí, o apelido de Nelson do Cavaquinho. Aos 16 anos, sem dinheiro para comprar o instrumento e pagar um professor, treinava em cavaquinho emprestado. Por essa época, trabalhava, também, como pedreiro e compôs a sua primeira música, o choro “Queda”. Apresentou-o aos músicos amigos Juquinha, Eugênio, Mazinho e Filhinho, que formavam um conjunto de choro e samba. Logo depois, foi chamado para integrar o conjunto, que atuava em shows nos clubes da redondeza da Gávea. Ainda nesta época, freqüentava a roda de choro que acontecia na Rua da Conceição, no centro do Rio de Janeiro, na qual se reuniam músicos como os irmãos Romualdo e Luperce Miranda.  Apesar de tocar bem o cavaquinho, era sempre necessário pedi-lo emprestado. Ao vê-lo nessa situação, Ventura, um jardineiro português, deu-lhe de presente o instrumento.
Em 1931, conheceu Alice Ferreira Neves. Meses depois, arrastado para a delegacia pelo pai da moça, casava-se com Alice, com quem teve quatro filhos. O casal foi morar no subúrbio de Brás de Pina. O pai de Alice indicou-o para servir na Cavalaria da Polícia Militar. Por essa época, o pai de Nelson Cavaquinho alterou a sua certidão de nascimento para 29/10/1910, um ano mais velho, para que pudesse ingressar na cavalaria. Nelson Cavaquinho e seu cavalo de nome “Vovô” patrulhavam o Morro da Mangueira, local onde fez amizade com sambistas como Zé Com Fome (Zé da Zilda) e Carlos Cachaça. Ao conhecer Cartola, na Quadra da Mangueira, e depois de ficar muito tempo conversando com este, seu cavalo Vovô voltou sozinho para o Batalhão, o que ocasionou mais uma vez, a sua detenção. Ficar detido era comum naquela época, já que passava dias sem ir ao quartel, em decorrência da boemia. Sobre este fato narrou:
“Eu ia tantas vezes em cana que já estava até me acostumado com o xadrex. Era tranqüilo, ficava lá compondo. Entre as músicas que fiz no xadrex está ‘Entre a cruz e a espada’ “.
No ano de 1938, antes de ser expulso da corporação, conseguiu dar baixa e, separado da mulher e afastado dos filhos, ingressou, de vez, na boemia e dedicou-se à música.
Mudou-se para o Morro da Mangueira em 1952.
Teve vários relacionamentos até que, no início da década de 1960, conheceu Durvalina, trinta anos mais nova do que ele, com quem viveu até a sua morte, ocorrida na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, vitimado por um enfisema pulmonar.
Em sua homenagem, ao CIEP do bairro da Chatuba (em Mesquita), foi dado seu nome, graças aos esforços dos professores Sérgio Fonseca e Alda Fonseca. Na ocasião da inauguração, houve um show de Guilherme de Brito e Velha-Guarda da Mangueira.
Sobre sua forma de levar a vida, sempre na boemia, uma passagem muito interessante foi descrita pelo parceiro Eduardo Gundin que lembra do dia em que dirigindo o carro, ligou o rádio e passou a ouvir uma entrevista do compositor para o programa “Balance”, da Excelsior. “A certa altura, o apresentador perguntou a Nelson quais eram os seus planos. E ele:
‘Meus planos? O Gudin vai passar aqui para me pegar e vamos beber no Bar do Alemão'”.
No ano de 2011 em comemoração ao centenário do compositor foram feitas várias homenagens, entre as quais a de ter sido enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que desfilou com o samba-enredo “O filho fiel, sempre Mangueira”, de Alemão do Cavaco, Cesinho Maluco, Xavier, Ailton Nunes, Rifai e Pê Baianinho, tendo como intérpretes Luizito, Zé Paulo Sierra e Ciganerey, classificando a escola em terceiro lugar na disputa do carnaval carioca deste ano. Neste mesmo ano o compositor foi homenageado pelo Instituto Cultural Cravo Albin com a exposição fotográfica “Vozes de Nelson Cavaquinho”, do fotógrafo Ricardo Poock, com curadoria do poeta Jorge Salomão. Ainda em 2011 foram feitas outras homenagens ao compositor, como o show da Velha-Guarda da Mangueira e Elton Medeiros abrindo a série “Som em 4 Tempos”, na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio de Janeiro. O bandolinista Afonso Machado (do grupo carioca de choro Galo Preto) lançou, pela ND Comunicação, no Museu da República, no Rio de Janeiro, um livro com entrevistas (feitas entre os anos de 1999 e 2001) com vários amigos dando depoimento sobre o compositor, entre os quais João Nogueira, Guilherme de Brito e Jair do Cavaquinho. Zé Renato e Leandro Braga apresentaram um show no Espaço Tom Jobim sobre a obra do compositor. No Instituo de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro a homenagem ficou por conta da exibição do filme do cineasta Leon Hirszman sobre Nelson Cavaquinho. Neste mesmo ano o compositor e cantor Zé Renato participou do programa de auditório “Agora no Ar!”, da Rádio Roquette Pinto, escrito e apresentado por Ricardo Cravo Albin, todo dedicado à obra do compositor mangueirense.

Obras:

  1. A dor de uma paixão (c/ José Ribeiro de Souza)
  2. A flor e o espinho (c/ Guilherme de Brito e Alcides Caminha)
  3. A lágrima (c/ Guilherme de Brito)
  4. A Mangueira me chama (c/ José Ribeiro de Souza)
  5. A tua traição (c/ Guilherme de Brito)
  6. A última esperança (c/ Guilherme de Brito)
  7. A última rodada (c/ Guilherme de Brito)
  8. A vida (c/ Guilherme de Brito)
  9. Aceito o teu adeus (c/ Luiz Rocha e Amado Regis)
  10. Agora é tarde (c/ José Alcides)
  11. Agradeço a Deus (inédita)
  12. Ameaça samba (inédita)
  13. Amor de mãe (c/ Guilherme de Brito)
  14. Amor e paz (inédita)
  15. Amor proibido (c/ Guilherme de Brito)
  16. Amor que morreu (c/ Rondão Lima e Gilberto Teixeira)
  17. Amor que morreu (c/ Roldão Lima e Gilberto Teixeira)
  18. Amor-perfeito (c/ Guilherme de Brito)
  19. Apresenta-me àquela mulher (c/ Augusto Garcez e Gustavo de Oliveira)
  20. Aquele bilhetinho (c/ Augusto Garcez e Arnô Canegal)
  21. Arma do covarde (inédita)
  22. Armas proibidas (c/ Guilherme de Brito e José Ribeiro de Souza)
  23. Beija-flor (c/ Noel Silva e Augusto Tomás)
  24. Caminhando (c/ Nourival Bahia)
  25. Cansado de chorar (c/ Amâncio Cardoso)
  26. Capital do samba (c/ Alcides Caminha)
  27. Caridade (c/ Hermínio do Vale)
  28. Chega de sofrer (c/ Pedro Martins e Renato Araújo)
  29. Cheiro à vela (c/ José Ribeiro de Souza)
  30. Choro do adeus (c/ Guilherme de Brito)
  31. Cigarro (c/ José Batista)
  32. Cinza (c/ Guilherme de Brito e Renato Gaetani)
  33. Consciência (c/ Guilherme de Brito)
  34. Coração de pedra (c/ César Brasil)
  35. Coração de poeta (c/ Paulinho Tapajós)
  36. Cuidado com a outra (c/ Augusto Tomás Júnior)
  37. Dama de baralho (c/ Guilherme de Brito)
  38. Decididamente (c/ Guilherme de Brito)
  39. Degraus da vida (c/ Antônio Braga e César Brasil)
  40. Deixa ela rolar (c/ P. Martins e Valfrido Silva)
  41. Depois da vida (c/ Guilherme de Brito)
  42. Derrota (c/ Guilherme de Brito)
  43. Desconsolo (c/ Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho)
  44. Deus é a caridade (c/ José Ribeiro e Rubens Brandão)
  45. Deus me fez assim (c/ Guilherme de Brito)
  46. Deus não me esqueceu (c/ Armando Bispo de Jesus e João Ananias da Silva)
  47. Deus olha por mim
  48. Devia ser condenada (c/ Cartola)
  49. Dia de amanhã (c/ Guilherme de Brito)
  50. Dizem (c/ Guilherme de Brito)
  51. Do fundo do armário (c/ Paulinho Tapajós)
  52. Dona Carola (c/ Nourival Bahia e Walto Feitosa Santos)
  53. Duas horas da manhã (c/ Ary Monteiro)
  54. É só vergonha (c/ Hermínio do Vale)
  55. É tão triste cair (c/ Guilherme de Brito)
  56. Ela chorou (c/ Armando Borges dos Reis)
  57. Ela não é o que dizem
  58. Encontro marcado (inédita)
  59. Enquanto a cidade dorme (c/ Jair do Cavaquinho)
  60. Entre a cruz e a espada
  61. Erva daninha (c/ Guilherme de Brito)
  62. Escola da vida (c/ Juvenal Fernandes)
  63. Esquina do pecado (c/ Guilherme de Brito) inédita
  64. Eu e as flores (c/ Jair do Cavaquinho)
  65. Eu já sabia (c/ Paulo Pedroso Leite)
  66. Eu não sei porquê (c/ Anatalício Silva)
  67. Euforia (c/ Eduardo Gudin e Roberto Riberti)
  68. Falência (c/ Guilherme de Brito)
  69. Fita roxa (c/ Guilherme de Brito)
  70. Folhas caídas (c/ César Brasil)
  71. Folhas secas (c/ Guilherme de Brito)
  72. Fora do baralho (c/ José Ribeiro de Souza e Antonio Gomes de Farias)
  73. Freira mais querida (c/ Nelson Sargento e Alfredo Português)
  74. Fruto da maldade (c/ César Brasil)
  75. Garça (c/ Guilherme de Brito)
  76. Gotas de luar (c/ Guilherme de Brito)
  77. História de um valente (c/ José Ribeiro Souza)
  78. Humilhação (c/ Guilherme de Brito)
  79. Insônia (c/ Neoci Dias e Bandeira Brasil)
  80. Inveja e maldade (inédita)
  81. Irene (c/ Alfredo Português)
  82. Juízo final (c/ Élcio Soares)
  83. Juro (Amado Régis)
  84. Justiça divina (c/ Guilherme de Brito)
  85. Lá vem elas (inédita)
  86. Lágrima sem júri
  87. Lavo minhas mãos
  88. Louco (c/ Guilherme de Brito)
  89. Luto (c/ Guilherme de Brito e Sebastião Nunes)
  90. Luz negra (c/ Amâncio Cardoso)
  91. Mais um palhaço (inédita)
  92. Mangueira (c/ Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti)
  93. Mangueira de bambas (c/ Geraldo Queirós)
  94. Me esquece (c/ Guilherme de Brito)
  95. Mesa farta (inédita)
  96. Meu caminho (c/ Guilherme de Brito)
  97. Meu pecado (c/ Zé Kéti)
  98. Meu perdão (c/ Guilherme de Brito)
  99. Meu sofrer (c/ Guilherme de Brito)
  100. Meu velho coração (c/ Guilherme de Brito)
  101. Minha fama (c/ Magno de Oliveira)
  102. Minha festa (c/ Guilherme de Brito)
  103. Minha honestidade vale ouro (c/ Guilherme de Brito)
  104. Minha vida
  105. Miragem (c/ Guilherme de Brito)
  106. Mulher sem alma (c/ Guilherme de Brito)
  107. Nair
  108. Não brigo mais (c/ César Brasil)
  109. Não é só você (c/ Guilherme de Brito)
  110. Não faça vontade a ela (c/ Henricão e Rubens Campos)
  111. Não fales naquela mulher (c/ Milton Monteiro e Wilson Canegal)
  112. Não me olhes assim (c/ Luís Rocha e Armando Borges dos Reis)
  113. Não precisa me humilhar (c/ Armando Borges dos Reis)
  114. Não sei porquê (c/ José Ribeiro de Souza)
  115. Não sirvo de espelho (inédita)
  116. Não te dói a consciência (c/ Ari Monteiro e Augusto Garcez)
  117. Não tenho inveja (c/ Silvio Trancoso)
  118. Negaste um cigarro (c/ José Batista)
  119. Nem todos são amigos (c/ Guilherme de Brito)
  120. Nena (c/ Joaquim Vaz de Carvalho)
  121. Ninho desfeito (c/ Wilson Canegal)
  122. Nome sagrado (c/ José Ribeiro de Souza e Guilherme de Brito)
  123. Nosso caso é o fim (c/ Guilherme de Brito)
  124. Notícia (c/ Alcides Caminha e Nourival Bahia)
  125. O bem e o mal (c/ Guilherme de Brito)
  126. O bem-querer (c/ Guilherme de Brito)
  127. O dono das calçadas (c/ Guilherme de Brito)
  128. O meu pecado (c/ Zé Kéti)
  129. Orgulho e agonia (c/ Fernando Mauro)
  130. Os teus olhos cansam de chorar (c/ Alfredo Português)
  131. Palavras malditas (c/ Guilherme de Brito)
  132. Palco vazio (inédita)
  133. Palhaço (c/ Oswaldo Martins e Washington Fernandes)
  134. Pecado (c/ Ligia Uchoa Barbosa)
  135. Perfeito só Deus (inédita)
  136. Pimpolho moderno (c/ Gerson Argolo Filho)
  137. Pobre caído (inédita)
  138. Pode sorrir (c/ Guilherme de Brito)
  139. Pomba da paz (c/ Guilherme de Brito)
  140. Porões (c/ Paulo César Feital)
  141. Pranto de poeta (c/ Guilherme de Brito)
  142. Quando alguém pergunta (c/ Guilherme de Brito)
  143. Quando eu me chamar saudade (c/ Guilherme de Brito)
  144. Que caia sobre mim (c/ Armando Borges dos Reis)
  145. Queda
  146. Quem chora tem sempre razão (c/ Guilherme de Brito)
  147. Quero alegria (c/ Guilherme de Brito)
  148. Quero lhe ver em meus braços (c/ Wilson Moreira)
  149. Realidade (c/ Geraldo Cunha e Antônio Braga)
  150. Rei sem trono (c/ Alberto Jesus)
  151. Rei vadio (c/ Joaquim Vaz de Carvalho)
  152. Rei vagabundo (c/ José Ribeiro de Souza e Noel Silva)
  153. Revertério (inédita)
  154. Rio vagabundo (c/ Carioca)
  155. Rio, não és mais criança (c/ José Ribeiro de Souza)
  156. Risos e lágrimas (c/ José Ribeiro de Souza e Rubem Brandão)
  157. Rugas (c/ Augusto Garcez e Ari Monteiro)
  158. Samba de São Jorge (c/ Oldemar Magalhães e Jorge Silva)
  159. São Jorge, meu protetor (c/ Jorge Silva e Noel Silva)
  160. Saudade a minha inimiga (c/ Guilherme de Brito)
  161. Se a terra falasse (c/ José Ribeiro de Souza)
  162. Se eu sorrir (c/ Guilherme de Brito)
  163. Se me der adeus (c/ Armando Borges dos Reis)
  164. Se você me ouvisse (c/ Guilherme de Brito)
  165. Semente do samba
  166. Sempre Mangueira (c/ Geraldo Queiroz)
  167. Sinal de paz (c/ Guilherme de Brito)
  168. Suicídio (c/ Guilherme de Brito)
  169. Tatuagem (c/ Guilherme de Brito e Paulo Gesta)
  170. Tenha paciência (c/ Guilherme de Brito)
  171. Terra de ninguém (inédita)
  172. Todo mundo sabe (c/ Djalma Mafra)
  173. Traço de união (inédita)
  174. Triste destino
  175. Uma estrela do céu caiu (c/ Guilherme de Brito)
  176. Vaidosa (inédita)
  177. Velhice (inédita)
  178. Velho amigo (c/ Paulo César Feital)
  179. Visita triste (c/ Anatalício Silva e Guilherme de Brito)
  180. Voltei (c/ Guilherme de Brito)
  181. Vou partir (c/ Jair do Cavaquinho)
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