Noel Rosa

Compositor. Cantor. Violonista.( 212 )

Noel de Medeiros Rosa
11/12/1910 Rio de Janeiro, RJ
4/5/1937 Rio de Janeiro, RJ

Penttágono

Nasceu no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, tornando-se anos mais tarde conhecido como o “Poeta da Vila”. Morou durante seus vinte e seis anos e meio de vida na mesma casa na rua Teodoro da Silva, que tempos depois seria demolida para a construção de um prédio residencial que leva seu nome. Filho de Manuel Medeiros Rosa, que era gerente de camisaria, e da professora Marta de Azevedo, teve em seu nascimento fratura e afundamento do maxilar provocados pelo fórceps, além de uma pequena paralisia na face direita, que o deixou desfigurado para o resto da vida, apesar das cirurgias sofridas aos seis e doze anos de idade. Quando seu pai foi trabalhar como agrimensor numa fazenda de café, sua mãe abriu uma escola dentro de casa, passando a sustentar os dois filhos, Noel e Hélio, o mais novo, nascido em 1914.

Já alfabetizado pela mãe, foi matriculado no Colégio Maisonnete quando tinha treze anos, depois foi para o São Bento, onde ficou até 1928, recebendo dos colegas o apelido de Queixinho. Teve paixões por mulheres que se tornaram musas de alguns de seus sambas, como no caso de Ceci, dançarina de um cabaré da Lapa. Para ela, compôs “Dama do Cabaré” e “Último desejo”.

Casou-se com Lindaura, em dezembro de 1934. Na verdade, o casamento ocorreu por pressão da mãe da moça, pois Lindaura tinha apenas 13 anos, dez a menos do que ele. Grávida, ela perderia o filho meses após o casamento. A união com Lindaura não modificou seus hábitos boêmios, que acabariam por comprometer irremediavelmente a sua saúde. No início de 1935, já com os dois pulmões lesionados, viajou com a mulher para se tratar em Belo Horizonte, onde se hospedou na casa de uma tia. Porém, o tratamento durou poucos dias, pois o compositor logo começou a freqüentar os bares e o meio artístico da cidade, apresentando-se até na Rádio Mineira. Ainda em Minas, em maio desse mesmo ano, recebeu a notícia do suicídio do pai, que se enforcou na casa de saúde onde estava internado para tratamento dos nervos. Apresentando algumas melhoras, em setembro retornou ao Rio de Janeiro. Contudo, em fevereiro de 1936, viajou para Nova Friburgo(RJ) por ordens médicas. Mesmo assim se apresentou no cinema local e freqüentava os bares da cidade. Retornou ao Rio bastante adoentado. Por sugestão de amigos e familiares, foi para Barra do Piraí, em abril do mesmo ano, em busca de repouso para tentar curar a tuberculose. Após uma semana, visitou, no dia 1 de maio, a represa de Ribeirão das Lajes e começou a sentir arrepios e a passar mal. Retornou à pensão com febre. Durante a noite sofreu uma grave crise de hemoptise e o médico que o atendeu advertiu que não havia recursos para tratar dele naquela cidade. Na manhã de 2 de maio, voltou ao Rio com Lindaura, às pressas, num táxi, em estado muito grave, do qual não conseguiria se recuperar. Durante dois dias recebeu visitas de muitos amigos, entre os quais Marília Baptista e Orestes Barbosa, que procuraram animá-lo.

Morreu na noite do dia 04 de maio, enquanto em frente à sua casa comemoravam o aniversário de uma vizinha numa festa em que tocavam suas músicas. Diversas versões sobre sua morte foram publicadas em diferentes jornais e biografias, onde se fez referência até a um ataque cardíaco. Ao seu enterro compareceram muitas personalidades da música e do rádio. À beira de seu túmulo, Ary Barroso fez um discurso emocionado, homenageando o amigo e parceiro. Depois de alguns anos de sua morte, seu nome ficou esquecido durante a década de 1940, até que Aracy de Almeida, em 1950, passou a cantar na famosa boate Vogue, incorporando sambas inéditos dele ao seu repertório. Desde aí, o compositor foi redescoberto e passou a ser homenageado pelo público e por autoridades, como no caso do busto inaugurado na Praça Tobias Barreto e que hoje se encontra na Praça Barão de Drumond, Vila Isabel, e pela comunidade de Vila Isabel, que inaugurou um monumento no Cemitério São Francisco Xavier, onde o compositor foi sepultado, em comemoração ao cinqüentenário do nascimento do sambista.

Em 1967, o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro – que acabara de lançar o elepê “Noel Rosa por Noel Rosa”, com o compositor cantando suas próprias músicas – fez também uma grande homenagem ao Poeta da Vila em seus 30 anos de morte, inaugurando exposição comemorativa e juntando os amigos remanescentes em gravação histórica conduzida por R. C. Albin em 4 de maio daquele ano. Em 1987, várias solenidades e eventos lembraram o cinqüentenário de seu falecimento.

Obras:

  1. A Genoveva não sabe o que diz
  2. A melhor do planeta (c/Almirante)
  3. A razão dá-se a quem tem (c/Ismael Silva e Francisco Alves)
  4. A-B-Surdo (c/Lamartine Babo)
  5. A-E-I-O-U (c/Lamartine Babo)
  6. Adeus (c/Francisco Alves e Ismael Silva)
  7. Agora
  8. Alô, beleza
  9. Amor com sinceridade
  10. Amor de parceria
  11. Ando cismado (c/Ismael Silva)
  12. Arranjei um fraseado
  13. Assim, sim (c/Ismael Silva e Francisco Alves)
  14. Até amanhã
  15. Baianinha
  16. Balão apagado (c/ Marília Batista)
  17. Boa viagem (c/ Ismael Silva)
  18. Boas intenções (c/Arnold Glückmann)
  19. Bom elemento (c/ Quidinho)
  20. Canção do galo capão
  21. Cansei de implorar (c/Arnold Glückmann)
  22. Cansei de pedir
  23. Capricho de rapaz solteiro
  24. Cem mil-réis (ou Você me pediu) (c/Vadico)
  25. Chuva de vento
  26. Cidade-mulher
  27. Cinema-falado (ou Não tem tradução)
  28. Coisas nossas (ou São coisas nossas)
  29. Com que roupa?
  30. Condena o teu nervoso
  31. Contraste
  32. Conversa de botequim (c/Vadico)
  33. Cor de cinza
  34. Cordiais saudações
  35. Dama do cabaré
  36. De babado (c/João Mina)
  37. De qualquer maneira (c/Ary Barroso)
  38. Deixa de ser convencido (c/Wilson Batista)
  39. Devo esquecer (c/Gilberto Martins)
  40. Disse-me-disse
  41. Dona Araci
  42. Dona do meu nariz
  43. Dona Emília (c/Glauco Viana)
  44. É bom parar (c/Rubens Soares)
  45. É difícil saber fingir
  46. É preciso discutir
  47. Envio estes mal traçados
  48. Escola de malandro (c/Orlando Santos)
  49. Esquecer e perdoar (c/Canuto)
  50. Esquina da vida (ou Na esquina da vida) (c/Francisco Matoso)
  51. Estamos esperando
  52. Estátua da paciência (c/Jerônimo Cabral)
  53. Este meio não serve (c/Donga)
  54. Estrela da manhã (c/Ary Barroso)
  55. Eu agora fiquei mal (Antenor Gargalhada)
  56. Eu não preciso mais do seu amor
  57. Eu queria um retratinho de você (c/Lamartine Babo)
  58. Eu sei sofrer
  59. Eu vi num armazém
  60. Eu vou pra Vila
  61. Faz-de-conta que eu morri
  62. Feitiço da Vila (c/Vadico)
  63. Feitio de oração (c/Vadico)
  64. Felicidade (ou Que bom, felicidade que vai ser) (c/Renê Bittencourt)
  65. Festa do céu
  66. Filosofia (c/André Filho)
  67. Finaleto (c/Arnold Glückmann)
  68. Fiquei rachando lenha (c/Hervé Cordovil)
  69. Fiquei sozinho (c/Adauto Costa)
  70. Fita amarela
  71. Fita de cinema
  72. Foi ela
  73. Fui louco (c/Bide)
  74. Gago apaixonado
  75. Gosto, mas não é muito (c/Ismael Silva e Francisco Alves)
  76. Habeas corpus
  77. Já não posso mais (c/ Canuto, Puruca e Almirante)
  78. João ninguém
  79. João teimoso (c/Marília Batista)
  80. Julieta (c/Frazão)
  81. Leite com café (ou Morena ou loura) (c/Hervé Cordovil)
  82. Linda pequena (c/João de Barro)
  83. Lira abandonada
  84. Madame honesta
  85. Mais um samba popular (ou Fiz um poema) (c/ Vadico)
  86. Malandro medroso
  87. Mão no remo (ou Iça a vela) (c/Ary Barroso)
  88. Marcha da prima… Vera
  89. Marcha do dragão (c/ Vadico)
  90. Mardade de cabocla
  91. Maria-fumaça
  92. Mas como… outra vez? (c/ Francisco Alves)
  93. Mas quem te deu tudo isso?
  94. Menina dos meus olhos (c/ Lamartine Babo)
  95. Mentir (ou Mentira necessária)
  96. Mentiras de mulher (c/ Artur Costa)
  97. Meu barracão
  98. Meu bem
  99. Meu sofrer (ou Queixumes) (c/Henrique Brito)
  100. Minha viola
  101. Morena sereia (c/José Maria Abreu)
  102. Mulata fuzarqueira (ou Fuzarqueira)
  103. Mulato bamba (ou Mulato forte)
  104. Mulher indigesta
  105. Na Bahia (c/José Maria de Abreu)
  106. Na esquina da vida
  107. Não brinca não (ou E não brinca não)
  108. Não faz amor (c/Cartola)
  109. Não há castigo (c/Donga)
  110. Não me deixam comer
  111. Não morre tão cedo
  112. Não quero mais (c/Nonô)
  113. Não resta a menor dúvida (c/Hervé Cordovil)
  114. Nega (c/ Lamartine Babo)
  115. Negócio de turco
  116. Nem com uma flor (c/ Francisco Alves)
  117. No baile da flor-de-lis
  118. Numa noite à beira-mar
  119. Nunca… Jamais
  120. Nuvem que passou
  121. O Joaquim é condutor (c/ Arnold Glückmann)
  122. O maior castigo que eu te dou
  123. O orvalho vem caindo (c/ Kid Pepe)
  124. O pulo da hora (ou Que horas são?)
  125. O que é que você fazia? (c/Hervé Cordovil)
  126. O x do problema
  127. Onde está a honestidade?
  128. Paga-me esta noite
  129. Palpite (c/ Eduardo Souto)
  130. Palpite infeliz
  131. Para atender a pedido
  132. Para bem de todos nós (c/Arnold Glückmann)
  133. Para me livrar do mal (c/ Ismael Silva)
  134. Pastorinhas (c/João de Barro)
  135. Pela décima vez (c/Cristóvão de Alencar)
  136. Perdão, meu bem (c/ Ernâni Silva)
  137. Perdoa este pecador (c/Arnold Glückmann)
  138. Pesado treze
  139. Picilone
  140. Pierrô apaixonado (c/Heitor dos Prazeres)
  141. Por causa da hora
  142. Por esta vez passa
  143. Positivismo (c/ Orestes Barbosa)
  144. Pra esquecer
  145. Pra lá da cidade
  146. Pra que mentir (c/ Vadico)
  147. Prato fundo (c/João de Barro)
  148. Prazer em conhecê-lo (c/ Custódio Mesquita)
  149. Precaução inútil
  150. Pregando no deserto (c/ Nonô)
  151. Primeiro amor (c/ Ernâni Silva)
  152. Proezas do seu fulano
  153. Provei (c/ Vadico)
  154. Quando o samba acabou
  155. Quantos beijos (c/ Vadico)
  156. Que baixo (c/ Nássara)
  157. Que orgulho é este? (c/Alfredo Lopes Quintas)
  158. Que se dane (c/Jota Machado)
  159. Quem dá mais (ou Leilão do Brasil)
  160. Quem não dança
  161. Quem não quer sou eu (c/ Ismael Silva)
  162. Quem parte, não parte sorrindo
  163. Quem ri melhor
  164. Rapaz folgado
  165. Remorso
  166. Retiro de saudade (c/ Nássara)
  167. Riso de criança (ou Seu riso de criança)
  168. Roubou mas não leva
  169. Rumba da meia-noite (c/ Henrique Vogeler)
  170. Saber amar (c/ Alfredo Lopes Quintas)
  171. Saí do presídio
  172. Samba da boa vontade (c/João de Barro)
  173. Século do progresso
  174. Sei que vou perder (c/Alfredo Lopes Quintas)
  175. Seja breve
  176. Sem tostão
  177. Seu Jacinto
  178. Seu Zé
  179. Silêncio de um minuto
  180. Sinhá Ritinha
  181. Só pode ser você (ou Ilustre visita) (c/ Vadico)
  182. Só pra contrariar (c/ Manuel Ferreira)
  183. Só você
  184. Suspiro (c/ Orestes Barbosa)
  185. Tarzã, o filho do alfaiate (c/ Ismael Silva)
  186. Tenentes do diabo (c/ Visconde de Bicuíba e Henrique Vogeler)
  187. Tenho raiva de quem sabe (c/ Kid Pepe e Zé Pretinho)
  188. Tipo zero (c/ Arnold Glückmann)
  189. Três apitos
  190. Triste cuíca (c/ Hervé Cordovil)
  191. Tudo nos une (c/ Arnold Glückmann)
  192. Tudo pelo teu amor (c/ Arnold Glückmann)
  193. Tudo que você diz
  194. Último desejo
  195. Uma coisa ficou
  196. Uma jura que eu fiz (c/ Ismael Silva e Francisco Alves)
  197. Vai haver barulho (c/ Francisco Alves)
  198. Vai haver barulho no chatô (c/ Valfrido Silva)
  199. Vai para a casa depressa (ou Cara ou coroa) (c/ Francisco Matoso)
  200. Vaidosa
  201. Vejo amanhecer (c/ Francisco Alves)
  202. Verdade duvidosa
  203. Vingança de malandro
  204. Vitória (c/ Nonô)
  205. Você é um colosso (ou Pisando no meu calo)
  206. Você foi meu azar (c/ Artur Costa)
  207. Você só… Mente (c/ Hélio Rosa)
  208. Você vai se quiser
  209. Você, por exemplo
  210. Voltaste pro subúrbio (ou Voltaste)
  211. Vou fazer um samba (c/ Russo do Pandeiro)
  212. Vou te ripá
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