Tom Jobim

Trajetória profissional

Pensou em trabalhar como arquiteto e chegou a se empregar em um escritório, mas logo desistiu e resolveu ser pianista. Tocava em bares e boates em Copacabana, como no Beco das Garrafas no início dos anos 50, até que em 1952 foi contratado como arranjador pela gravadora Continental. Além dos arranjos, também tinha a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical. Datam dessa época as primeiras composições.
A primeira canção gravada, Incerteza (com Newton Mendonça), na voz de Mauricy Moura. Tereza da Praia, parceria com Billy Blanco, gravada por Lúcio Alves e Dick Farney pela Continental (1954), foi o primeiro sucesso. Depois disso participou de gravações e compôs com Billy Blanco a Sinfonia do Rio de Janeiro, além de outras parcerias com a cantora e compositora Dolores Duran (Se é por Falta de Adeus, Por Causa de Você).
Em 1956 musicou a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça fez bastante sucesso a canção antológica Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada diversas vezes. Tom Jobim fez parte do núcleo embrionário da bossa nova. O LP Canção do Amor Demais (1958), em parceria com Vinícius, e interpretaçãoes de Elizeth Cardoso, foi acompanhado pelo violão de um baiano até então desconhecido, João Gilberto. A orquestração é considerada um marco inaugural da bossa nova, pela originalidade das melodias e harmonias. Inclui, entre outras, Canção do Amor Demais, Chega de Saudade e Eu Não Existo sem Você. A consolidação da bossa nova como estilo musical veio logo em seguida com o 78 rotações Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direção musical de Tom, selou os rumos que a música popular brasileira tomaria dali para frente. No mesmo ano foi a vez de Sílvia Telles gravar Amor de Gente Moça, um disco com 12 canções de Tom, entre elas Só em Teus Braços, Dindi (com Aloysio de Oliveira) e A Felicidade (com Vinícius). Tom foi um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova York em 1962. No ano seguinte compôs, com Vinícius, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no exterior: Garota de Ipanema. Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de “clássicos” produzidos por Tom é impressionante: Samba do Avião, Só Danço Samba (com Vinícius), Ela é Carioca (com Vinícius), O Morro Não Tem Vez, Inútil Paisagem (com Aloysio), Vivo Sonhando. Nos Estados Unidos gravou discos (o primeiro individual foi The Composer of ‘Desafinado’ Plays, de 1965), participou de espetáculos e fundou sua própria editora, a Corcovado Music.
O sucesso fora do Brasil o fez voltar aos EUA em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. O disco Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês das canções de Tom (The Girl From Ipanema, How Insensitive, Dindi, Quiet Night of Quiet Stars) e composições americanas, como I Concentrate On You, de Cole Porter. No fim dos anos 60, depois de lançar o disco Wave (com a faixa-título, Triste, Lamento entre outras instrumentais), participou de festivais no Brasil, conquistando o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção (Rede Globo), com Sabiá, parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy. Sabiá conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a interpretação diante dos constrangidos compositores.
Aprofundando seus estudos musicais, adquirindo influências de compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo músicas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz (Stone Flower) e elementos tipicamente brasileiros, fruto de suas pesquisas sobre a cultura brasileira. É o caso de “Matita Perê” e “Urubu”, lançados na década de 70, que marcam a aliança entre a sofisticação harmônica de Tom e sua qualidade de letrista. São desses dois discos Águas de Março, Ana Luiza, Lígia, Correnteza, O Boto, Ângela. Também nessa época grava discos com outros artistas, casos de Elis e Tom, com Elis Regina, Miúcha e Tom Jobim e Edu e Tom. Passarim, de 1987, é a obra de um compositor já consagrado, que pode desenvolver seu trabalho sem qualquer receio, acompanhado por uma banda grande, a Nova Banda. Além da faixa-título, Gabriela, Luiza, Chansong, Borzeguim e Anos Dourados (com Chico Buarque) são os destaques.

Composições Consagradas
    • “Chega de Saudade” (1957), o marco inicial da bossa nova
    • “Água de Beber”
    • “Desafinado” (1959), vencedora de três prêmios Grammy
    • “Samba de Uma Nota Só” (1959)
    • “A Felicidade” e “O Nosso Amor”, do filme Orfeu Negro (1959)
    • “Insensatez” (com Vinícius de Moraes) (1960)
    • “Garota de Ipanema” (com Vinícius de Moraes) (1963)
    • “Fotografia” (1965)
    • “Triste” (1967)
    • “Wave” (1967)
    • “Águas de Março” (1970)
    • “Luiza”
    • “Corcovado”
    • “Dindi”
    • “Samba do Avião”
    • “Anos Dourados”
    • “Eu te Amo”
    • “Meditação”
    • “Só Tinha de Ser com Você” (1974)
    • “Sabiá”
    • “Eu sei que vou te amar”
    • “Falando de amor”
  • “Ela é carioca”

Discografia

    • Sinfonia do Rio de Janeiro – 1954
    • Tom Jobim e Billy Blanco – 1960
    • Brasília e Sinfonia da Alvorada – 1961
    • Antônio Carlos Jobim – 1963
    • Caymmi visita Tom – 1964
    • Antônio Carlos Jobim com Nelson Riddle e sua Orquestra – 1964
    • Getz/Gilberto featuring A. C. Jobim – 1964
    • A Certain Mr. Jobim – 1965
    • Love Strings & Jobim (Tom Jobim Apresenta) – 1966
    • Wave – 1967
    • Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim – 1967
    • Compacto Duplo – 1968
    • Tide – 1970
    • Stone Flower – 1970
    • Sinatra & Company.s – 1971
    • Disco de Bolso – O Tom de Tom Jobim e o tal de João Bosco – 1972
    • Matita Pere/Jobim – 1973
    • Elis & Tom (com Elis Regina)- 1974
    • Urubu – 1976
    • Compacto Duplo – 1977
    • Miúcha & Antônio Carlos Jobim – 1977
    • Tom, Vinícius, Toquinho, Miúcha, gravado ao vivo no Canecão – 1977
    • Miúcha e Tom Jobim – 1979
    • Sinatra-Jobim Sessions – 1979
    • Terra Brasilis I & II – 1980
    • Edu & Tom / Tom & Edu – 1981
    • Gabriela, Trilha do Filme – 1983
    • O Tempo e o Vento – 1985
    • Para Viver um Grande Amor, Trilha do Filme – 1985
    • Rio Revisited (com Gal Costa) – 1987
    • Passarim – 1987
    • Tom Jobim (inédito) – 1987
    • No Tom da Mangueira – 1991
    • Antônio Brasileiro – 1994
    • Antnio Carlos Jobim and Friends – 1996
  • Antônio Carlos Jobim em Minas ao vivo: Piano e Voz – 2004
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