Segurança no Trabalho

Manual de prevenção de Acidentes

1 Manual de Prevenção de Acidentes e Doenças do Trabalho
Manual de Prevenção de Acidentes
Professor José R. Gardinalli
Engo Mecânico
Engo de Segurança do Trabalho
2 Introdução.
Estima-se que, no Brasil, as micro e pequenas empresas representem 98% do total de empresas
existentes, ou seja, 4,1 milhões. Só na indústria, elas concentram 46,20% do número total de
trabalhadores formalmente contratados, aí a sua importância para a economia nacional. Pela
contribuição que as micro e pequenas empresas podem oferecer para a redução do número de
acidentes e doenças decorrentes do trabalho, significando maior competitividade, redução de
custos e melhoria das condições e dos locais de trabalho, elas necessitam ser estudadas e
orientadas, levando-se em conta suas principais características:
Estão presentes na maioria dos setores da economia;
Concentram a maioria dos trabalhadores formais e informais, especializados ou não;
Têm maior capacidade de fixação da mão-de-obra local;
Possuem tratamento jurídico diferenciado;
Não pertencem a grandes grupos econômicos e financeiros;
São resistentes à burocracia e ao cumprimento de normas ou regras;
São fortemente impactadas por acidentes, danos patrimoniais ou outros tipos de prejuízos;
São flexíveis, ágeis e adaptam-se rapidamente às mudanças e exigências do mercado;

  • São avaliadas no preço, qualidade e reputação de seus produtos e serviços, e de forma
  • ética pela proximidade com a comunidade;
  • Assumem ações e posições no mercado que as grandes empresas não conseguem
  • assumir;
  •   A comunicação é direta e a dinâmica interna é mais informal;
  •   O próprio dono é o responsável pela gestão de segurança no trabalho;
  •   Existe estreita relação pessoal do proprietário com os empregados, clientes e
  • fornecedores;
  •   Necessitam do envolvimento, cooperação e participação de todos para identificar, eliminar
  • ou neutralizar os riscos do local de trabalho;
  •   Possuem maior facilidade de criar ou incorporar às suas especificidades boas práticas para
  • prevenção de acidentes e doenças;
  •   Podem ser influenciadas ou cobradas pela sociedade ou por empresas maiores para

adoção de práticas de prevenção de acidentes e doenças.

3 Histórico.
Dentro das perspectivas dos direitos fundamentais do trabalhador em usufruir de uma boa e
saudável qualidade de vida, na medida em que não se pode dissociar os direitos humanos e a
qualidade de vida, verifica-se, gradativamente, a grande preocupação com as condições do
trabalho. A primazia dos meios de produção em detrimento da própria saúde humana é fato que,
infelizmente, vem sendo experimentado ao longo da história da sociedade moderna. É possível
conciliar economia e saúde no trabalho. As doenças aparentemente modernas (stress, neuroses e
as lesões por esforços repetitivos), já há séculos vem sendo diagnosticadas. Os problemas
relacionados com a saúde intensificam-se a partir da Revolução Industrial. As doenças do trabalho
aumentam em proporção a evolução e a potencialização dos meios de produção, com as
deploráveis condições de trabalho e da vida das cidades.
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4 A OIT – Organização Internacional do Trabalho, em 1919, com o advento do Tratado de Versalhes,
objetivando uniformizar as questões trabalhistas, a superação das condições subumanas do
trabalho e o desenvolvimento econômico, adota seis convenções destinadas à proteção da saúde
e à integridade física dos trabalhadores (limitação da jornada de trabalho, proteção à maternidade,
trabalho noturno para mulheres, idade mínima para admissão de crianças e o trabalho noturno
para menores). Até os dias atuais diversas ações foram implementadas envolvendo a qualidade de
vida do trabalho, buscando intervir diretamente nas causas e não apenas nos efeitos a que estão
expostos os trabalhadores.
Em 1919, por meio do Decreto Legislativo nº. 3.724, de 15 de janeiro de 1919, implantaram-se
serviços de medicina ocupacional, com a fiscalização das condições de trabalho nas fábricas. Com
o advento da Segunda Guerra Mundial despertou-se uma nova mentalidade humanitária, na busca
de paz e estabilidade social. Finda a Segunda Guerra Mundial, é assinada a Carta das Nações
Unidas, em São Francisco, em 26 de junho de 1945, que estabelece nova ordem na busca da
preservação, progresso social e melhores condições de vida das futuras gerações.
Em 1948, com a criação da OMS – Organização Mundial da Saúde, estabelece-se o conceito de
que a “saúde é o completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de
afecções ou enfermidades” e que “o gozo do grau máximo de saúde que se pode alcançar é um
dos direitos fundamentais de todo ser humano..”
Em 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas, aprova a Declaração
Universal dos Direitos Humanos do Homem, que se constitui uma fonte de princípios na aplicação
das normas jurídicas, que assegura ao trabalhador o direito ao trabalho, à livre escolha de
emprego, as condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra ao desemprego; o
direito ao repouso e ao lazer, limitação de horas de trabalho, férias periódicas remuneradas, além
de padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar. Contudo, a
reconstrução pós-guerra induz a sérios problemas de acidentes e doenças que repercutem nas
atividades empresariais, tanto no que se refere às indenizações acidentárias, quanto ao custo pelo
afastamento de empregados doentes. Impunha-se a criação de novos métodos de intervenção das
causas de doenças e dos acidentes, recorrendo se à participação interprofissional.
Em 1949, a Inglaterra pesquisa a ergonomia, que objetiva a organização do trabalho em vista da
realidade do meio ambiente laboral adequar-se ao homem. Em 1952, com a fundação da
Comunidade Européia do Carvão e do Aço – CECA, as questões voltaram-se para a segurança e
medicina do trabalho nos setores de carvão e aço, que até hoje estimula e financia projetos no
setor. Na década de 60 inicia-se um movimento social renovado, revigorado e redimensionado
marcado pelo questionamento do sentido da vida, o valor da liberdade, o significado do trabalho na
vida, o uso do corpo, notadamente nos países industrializados como a Alemanha, França,
Inglaterra, Estados Unidos e Itália.

5 Na Itália, a empresa Farmitália, iniciou um processo de conscientização dos operários quanto à
nocividade dos produtos químicos e dos técnicos para a detecção dos problemas. A FIAT
reorganiza as condições de trabalho nas fábricas, modificando as formas de participação da classe
operária. Na realidade o problema da saúde do trabalhador passa a ser outra, desloca-se da
atenção dos efeitos para as causas, o que envolve as condições e questões do meio ambiente.
No início da década de 70, o Brasil é o detentor do título de campeão mundial de acidentes. E, em
1977, o legislador dedica no texto da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, por sua
reconhecida importância Social, capítulo específico à Segurança e Medicina do Trabalho. Trata-se
do Capítulo V, Título II, artigos 154 a 201, com redação da Lei nº 6.514/77. O Ministério do
Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, hoje denominado
Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, regulamenta os artigos contidos na CLT por
meio da Portaria nº 3.214/78, criando vinte e oito Normas Regulamentadoras – NRs. Com a
publicação da Portaria nº 3214/78 se estabelece a concepção de saúde ocupacional.
Em 1979, a Comissão Intersindical de Saúde do Trabalhador, promove a Semana de Saúde do
Trabalhador com enorme sucesso e em 1980 essa comissão de transforma no Departamento
Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes do Trabalho.
Os eventos dos anos seguintes enfatizaram a eliminação do risco de acidentes, da insalubridade
ao lado do movimento das campanhas salariais. Os diversos Sindicatos dos Trabalhadores, como
o das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, tiveram fundamental importância denunciando as
condições inseguras e indignas observadas no trabalho. Com a Constituição de 1988 nasce o
marco principal da etapa de saúde do trabalhador no nosso ordenamento jurídico. Está garantida a
redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. E,
ratificadas as Convenções 155 e 161 da OIT, que também regulamentam ações para a
preservação da Saúde e dos Serviços de Saúde do Trabalhador. As conquistas, pouco a pouco,
vêm introduzindo novas mentalidades, sedimentando bases sólidas para o pleno exercício do
direito que todos devem ter à saúde e ao trabalho protegido de riscos ou das condições perigosas
e insalubres que põem em risco a vida, a saúde física e mental do trabalhador. A proteção à saúde
do trabalhador fundamenta-se, constitucionalmente, na tutela “da vida com dignidade”, e tem como
objetivo primordial a redução do risco de doença, como exemplifica o art. 7º, inciso XXII, e também
o art. 200, inciso VIII, que protege o meio ambiente do trabalho, além do art. 193, que determina
que “a ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça
sociais”. Posteriormente, o Ministério do Trabalho, por meio da Portaria nº 3.067, de 12.04.88,
aprovou as cinco Normas Regulamentadoras Rurais vigentes. A Portaria SSST nº 53, de 17.12.97,
aprovou a NR 29 – Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Portuário.
Atuando de forma tripartite o Ministério do Trabalho e Emprego, divulga para consulta pública a
Portaria SIT/SST nº 19 de 08.08.01, publicada no DOU de 13.08.01, para a criação da NR nº 30 –
Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário. E, em 06.11.02 foi

6 publicada no DOU a Portaria nº 30, de 22.10.02, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do MTE,
divulgando para consulta pública proposta de texto de criação da Norma Regulamentadora Nº 31 –
Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Os problemas referentes à
segurança, à saúde, ao meio ambiente e à qualidade de vida no trabalho vêm ganhando
importância no Governo, nas entidades empresariais, nas centrais sindicais e na sociedade como
um todo. O Ministério do Trabalho e Emprego tem como meta a redução de 40% nos números de
acidentes do trabalho no País até 2003.
Propostas para construir um Brasil moderno e competitivo, com menor número de acidentes e
doenças de trabalho, com progresso social na agricultura, na indústria, no comércio e nos serviços,
devem ser apoiadas. Para isso deve haver a conjunção de esforços de todos os setores da
sociedade e a conscientização na aplicação de programas de saúde e segurança no trabalho.
Trabalhador saudável e qualificado representa produtividade no mercado globalizado.
Impactos dos acidentes e doenças do trabalho.
Sob todos os aspectos em que possam ser analisados, os acidentes e doenças decorrentes do
trabalho apresentam fatores extremamente negativos para a empresa, para o trabalhador
acidentado e para a sociedade. Anualmente, as altas taxas de acidentes e doenças registradas
pelas estatísticas oficiais expõem os elevados custos e prejuízos humanos,sociais e econômicos
que custam muito para o País, considerando apenas os dados do trabalho formal.

7 O somatório das perdas, muitas delas irreparáveis, é avaliado e determinado levando-se em consideração os danos causados à integridade física e mental do trabalhador, os prejuízos da empresa e os demais custos resultantes para a sociedade. Danos causados ao trabalhador As estatísticas da Previdência Social, que registram os acidentes e doenças decorrentes do trabalho, revelam uma enorme quantidade de pessoas prematuramente mortas ou incapacitadas
para o trabalho. Os trabalhadores que sobrevivem a esses infortúnios são também atingidos por danos que se materializam em:

  •   Sofrimento físico e mental;
  •   Cirurgias e remédios;
  •   Próteses e assistência médica;
  •   Fisioterapia e assistência psicológica;
  •   Dependência de terceiros para acompanhamento e locomoção;
  •   Diminuição do poder aquisitivo;
  •   Desamparo à família;
  •   Estigmatização do acidentado;
  •   Desemprego;
  •   Marginalização;
  •   Depressão e traumas.

Prejuízos da empresa
As micro e pequenas empresas são fortemente atingidas pelas conseqüências dos acidentes e doenças, apesar de nem sempre os seus dirigentes perceberem este fato. O custo total de um acidente é dado pela soma de duas parcelas: uma refere-se ao custo direto (ou custo segurado), a exemplo do recolhimento mensal feito à Previdência Social, para pagamento do seguro contra acidentes do trabalho, visando a garantir uma das modalidades de benefícios estabelecidos na legislação previdenciária.A outra parcela refere-se ao custo indireto (custo não segurado). Estudos informam que a relação entre os custos segurados e os não segurados é de 1 para 4, ou seja, para cada real gasto com os custos segurados, são gastos 4 com os custos não segurados.

8 Os custos não segurados impactam a empresa principalmente
nos seguintes itens:

  •   Salário dos quinze primeiros dias após o acidente;
  •   Transporte e assistência médica de urgência;
  •   Paralisação de setor, máquinas e equipamentos;
  •   Comoção coletiva ou do grupo de trabalho;
  •   Interrupção da produção;
  •   Prejuízos ao conceito e à imagem da empresa;
  •   Destruição de máquina, veículo ou equipamento;
  •   Danificação de produtos, matéria-prima e outros insumos;
  •   Embargo ou interdição fiscal;
  •   Investigação de causas e correção da situação;
  •   Pagamento de horas-extras;
  •   Atrasos no cronograma de produção e entrega;
  •   Cobertura de licenças médicas;
  •   Treinamento de substituto;
  •   Aumento do prêmio de seguro;
  •   Multas e encargos contratuais;
  •   Perícia trabalhista, civil ou criminal;
  •   Indenizações e honorários legais;
  •   Elevação de preços dos produtos e serviços.

9 Custos resultantes para a sociedade
As estatísticas informam que os acidentes atingem, principalmente, pessoas na faixa etária dos 20
aos 30 anos, justamente quando estão em plena condição física. Muitas vezes, esses jovens
trabalhadores, que sustentam suas famílias com seu trabalho, desfalcam as empresas e oneram a
sociedade, pois passam a necessitar de:

  •   Socorro e medicação de urgência;
  •   Intervenções cirúrgicas;
  •   Mais leitos nos hospitais;
  •   Maior apoio da família e da comunidade;
  •   Isso, conseqüentemente, prejudica o desenvolvimento do País, provocando:
  •   Benefícios previdenciários.
  •   Redução da população economicamente ativa;
  •   Aumento da taxação securitária;
  •   Aumento de impostos e taxas.

É importante ressaltar que, apesar de todos os cálculos, o valor da vida humana não pode ser
calculado matematicamente, sendo o mais importante no estudo o conjunto de benefícios que a
micro ou pequena empresa consegue com a adoção de boas práticas de Saúde e Segurança no
Trabalho, pois, além de prevenir acidentes e doenças, está vacinada contra os imprevistos
acidentários, reduz os custos, otimiza conceito e imagem junto à clientela e potencializa a sua
competitividade.

10 Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho, Objetivo.
A incorporação das boas práticas de gestão de saúde e segurança no trabalho no âmbito das
micro e pequenas empresas contribui para a proteção contra os riscos presentes no ambiente de
trabalho, prevenindo e reduzindo acidentes e doenças e diminuindo consideravelmente os custos.
Além de diminuir os custos e prejuízos, torna a empresa mais competitiva, auxiliando na
sensibilização de todos para o desenvolvimento de uma consciência coletiva de respeito à
integridade física dos trabalhadores e melhoria contínua dos ambientes de trabalho. No caso das
micro e pequenas empresas, a participação do próprio empreendedor e dos trabalhadores na
identificação dos riscos assume um papel de extrema importância para o êxito do programa de
gestão.

11 Análise preliminar das condições de trabalho, Etapas.
A análise preliminar das condições de trabalho permite a elaboração de estratégias que vão
subsidiar as etapas de implantação do programa de gestão de saúde e segurança no trabalho, e é
estabelecida com quatro indagações bem simples:
1. O trabalhador está exposto à fonte de perigo?
2. O trabalhador está em contato com a fonte de perigo?
3. Qual o tempo e a freqüência do contato entre o trabalhador e a fonte de perigo?
4. Qual a distância entre o trabalhador e a fonte de perigo?
De forma preliminar, das quatro indagações, conclui-se que:

  • Quanto maior o tempo de exposição ou de contato com a fonte de perigo, maior

será o risco;

  •   Quanto maior for a freqüência da exposição ao perigo, maior será o risco; e…
  •   Quanto mais próximo da fonte de perigo, maior será o risco.

É importante ressaltar que a fonte de perigo pode ser um equipamento, uma máquina, um
instrumento ou qualquer condição de trabalho perigosa.
Etapas:

  •   Diagnóstico inicial para conhecer as características da empresa, dos trabalhadores e dos

ambientes de trabalho; mapeamento dos processos de produção e atividades
relacionadas, para conhecimento de suas principais etapas;

  •   Avaliação dos riscos para identificar as fontes de perigo e estimar os riscos a elas

associados;

  •   Identificação de requisitos legais e outros para verificar a situação da empresa em relação

ao cumprimento da legislação e de acordos ou contratos firmados;

  •   Definição dos objetivos e metas, para que a direção da empresa estabeleça aonde quer

chegar em relação à saúde e à no trabalho;

  •   Controle operacional, medição e monitoramento, para estabelecer o ciclo básico de

gerenciamento de saúde e segurança no trabalho, constituído pelos seguintes passos:
reconhecimento, antecipação, avaliação, prevenção e controle;

  •   Implementação dos programas de gestão, para atingir os objetivos e metas estabelecidas

na etapa anterior, as pessoas responsáveis, os recursos envolvidos e os prazos;

  •   Tratamento de desvios, incidentes, acidentes, doenças, ações emergenciais, corretivas e

preventivas ou mitigadoras, para garantir que a gestão de saúde e segurança no trabalho
está implementada e mantida na empresa.
A experiência mostra que um bom ambiente de trabalho contribui, sobremaneira, para aumentar a
produtividade, porque permite e facilita o planejamento da produção, melhora a comunicação
interna e as relações de trabalho, aumenta a confiança e a auto-estima, alicerça o

12 comprometimento de todos e a cooperação. Enfim, todos só têm a ganhar com a gestão de saúde
e segurança no trabalho, os trabalhadores, a empresa e o País.
Modelo em saúde e segurança do trabalho. Princípios.
Um modelo de segurança e saúde do trabalho, deve contemplar uma metodologia voltada para a
antecipação e a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais que alia a simplicidade da
intervenção, e a profundidade das ações técnicas necessárias para sua efetividade, eficiência e
eficácia.:

  •  Redução dos riscos de acidentes de trabalho;
  •  Prevenção em saúde ocupacional;
  •  Prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis (diabetes e hipertensão);
  •  Prevenção ao sedentarismo.
  • Características
  •  Foco na empresa e nos trabalhadores da indústria brasileira;
  •  Ações executadas preferencialmente nas empresas, no local de trabalho;
  •  Concentração de esforços em torno do objetivo de redução dos acidentes de trabalho e
  • das doenças profissionais;
  •  Alocação de profissionais, nos setores da empresa, de maior risco para identificação dos
  • fatores causais dos acidentes e apoio subseqüente para a correção dos problemas com
  • prevenção ou eliminação dos riscos;
  •  Acompanhamento das ações praticadas pela empresa e avaliação dos resultados
  • concretos obtidos;
  •  Prática consolidada de atividades ligadas ao meio ambiente laboral e à saúde dos
  • trabalhadores, com a execução conjunta dos programas:
  •  Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO e Programa de Prevenção
  • de Riscos Ambientais;
  •  PPRA, para atendimento do conceito de ambientes saudáveis de trabalho;
  •  Na saúde, ênfase na atenção também aos problemas ocupacionais com agregação de
  • cuidados a um elenco seletivo de doenças crônicas não-transmissíveis – hipertensão,
  • diabetes e sedentarismo, com enfoque preventivo e de educação para a saúde;
  •  Correlação entre as ações de segurança e saúde no trabalho e os resultados alcançados
  • pelas empresas em termos de produtividade e competitividade de seus produtos;
  •  Integração com os esforços e iniciativas das instituições, organizações e demais atores
  • dos setores público e privado que atuam na área de segurança e saúde no trabalho,
  • constituindo-se em uma parte do sistema de proteção ao trabalho e ao trabalhador;
  •  E atenção às exigências dos organismos governamentais, diminuindo as despesas da

empresa ao evitar multas e sanções correlacionadas.

13  Vantagens para a empresa que adota um modelo em Saúde e Segurança no Trabalho.

  •  Previne e reduz os acidentes e doenças;
  •  Protege a integridade física e mental dos trabalhadores;
  •  Educa para adoção de práticas preventivas;
  •  Evita os custos com medicação e próteses;
  •  Diminui o absenteísmo;
  •  Melhora, continuamente, os ambientes de trabalho;
  •  Evita prejuízos à imagem da empresa;
  •  Elimina danos patrimoniais;
  •  Evita o pagamento de perícias, honorários e indenizações legais;
  •  Potencializa as relações interpessoais;
  •  Otimiza o clima organizacional;
  •  Atende aos requisitos da legislação;
  •  Aumenta a produtividade;
  •  Amplia a competitividade da empresa;
  •  Expande seu mercado de atuação.

14 Riscos nos ambientes de trabalho.
A importância de conhecer os riscos
Os locais de trabalho, pela própria natureza da atividade desenvolvida e pelas características de
organização, relações interpessoais, manipulação ou exposição a agentes físicos, químicos,
biológicos, situações de deficiência ergonômica ou riscos de acidentes, podem comprometer a
saúde e segurança do trabalhador em curto, médio e longo prazo, provocando lesões imediatas,
doenças ou a morte, além de prejuízos de ordem legal e patrimonial para a empresa. É importante
salientar que a presença de produtos ou agentes nocivos nos locais de trabalho não quer dizer
que, obrigatoriamente, existe perigo para a saúde. Isso vai depender da combinação ou interrelação
de diversos fatores, como a concentração e a forma do contaminante no ambiente de
trabalho, o nível de toxicidade e o tempo de exposição da pessoa. Entretanto, na visão da
prevenção, não existem micro ou pequenos riscos, o que existem são micro ou pequenas
empresas. Desta forma, em qualquer tipo de atividade laboral, torna-se imprescindível a
necessidade de investigar o ambiente de trabalho para conhecer os riscos a que estão expostos os
Trabalhadores Avaliação de riscos.
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É o processo de estimar a magnitude dos riscos existentes no ambiente e decidir se um risco é ou
não tolerável.
Formas de avaliar os riscos
Para investigar os locais de trabalho na busca de eliminar ou neutralizar os riscos ambientais,
existem duas modalidades básicas de avaliação. A avaliação qualitativa, conhecida como
preliminar, e a avaliação quantitativa, para medir, comparar e estabelecer medidas de eliminação,
neutralização ou controle dos riscos.
A mais simples forma de avaliação ambiental é a qualitativa. Na avaliação qualitativa, utiliza-se
apenas a sensibilidade do avaliador para identificar o risco existente no local de trabalho.
Exemplo
Ocorrendo o vazamento em um botijão de gás de cozinha, o sentido do olfato imediatamente nos
auxilia na identificação do risco.
Na avaliação quantitativa, é necessário o uso de um método científico e a utilização de
instrumentos e equipamentos destinados à quantificação do risco.
Exemplo
Para avaliar o calor produzido num forno utilizam-se termômetros específicos;
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Para avaliar o nível de ruído de uma máquina, utilizam-se medidores de pressão sonora.
Classificação dos riscos.
Os RISCOS AMBIENTAIS são classificados tecnicamente como:
 Riscos Físicos: são representados por fatores ou agentes existentes no ambiente de
trabalho que podem afetar a saúde dos trabalhadores, como: ruídos, vibrações, radiações
(ionizantes e não ionizantes), frio, calor, pressões anormais e umidade;
 Riscos Químicos: são identificados pelo grande número de substâncias que podem
contaminar o ambiente de trabalho e provocar danos à integridade física e mental dos
trabalhadores, a exemplo de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores,
substâncias, compostos ou outros produtos químicos;
 Riscos Biológicos: estão associados ao contato do homem com vírus, bactérias,
protozoários, fungos, parasitas, bacilos e outras espécies de microorganismos;
 Riscos Ergonômicos: estão ligados à execução de tarefas, à organização e às relações
de trabalho, ao esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso,
mobiliário inadequado, posturas incorretas, controle rígido de tempo para produtividade,
imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas de trabalho
prolongadas, monotonia, repetitividade e situações causadoras de estresse;
 Riscos de Acidentes: são muito diversificados e estão presentes no arranjo físico
inadequado, pisos pouco resistentes ou irregulares, material ou matéria-prima fora de
especificação, máquina e equipamentos sem proteção, ferramentas impróprias ou
defeituosas, iluminação excessiva ou insuficiente, instalações elétricas defeituosas,
probabilidade de incêndio ou explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos
e outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes.
 O Mapa de Riscos.
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O Mapa de Riscos é uma das modalidades mais simples de avaliação qualitativa dos riscos
existentes nos locais de trabalho. É a representação gráfica dos riscos por meio de círculos de
diferentes cores e tamanhos, permitindo fácil elaboração e visualização. É um instrumento
participativo, elaborado pelos próprios trabalhadores e de conformidade com as suas
sensibilidades. O Mapa de Riscos está baseado no conceito filosófico de que quem faz o trabalho
é quem conhece o trabalho. Ninguém conhece melhor a máquina do que o seu operador. As
informações e queixas partem dos trabalhadores, que deverão opinar discutir e elaborar o Mapa de
Riscos e divulgá-lo ao conjunto dos trabalhadores da empresa através da fixação e exposição em
local visível. Serve como um instrumento de levantamento preliminar de riscos, de informação para
os demais empregados e visitantes, e de planejamento para as ações preventivas que serão
adotadas pela empresa.
 Objetivo do Mapa de Riscos.
Reunir as informações básicas necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação da
segurança e saúde no trabalho na empresa, e possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e a
divulgação de informações entre os trabalhadores, bem como estimular sua participação nas
atividades de prevenção.
 Benefícios da adoção do Mapa de Riscos.
Identificação prévia dos riscos existentes nos locais de trabalho aos quais os trabalhadores
poderão estar expostos; conscientização quanto ao uso adequado das medidas e dos
equipamentos de proteção coletiva e individual; redução de gastos com acidentes e doenças,
medicação, indenização, substituição de trabalhadores e danos patrimoniais; facilitação da gestão
de saúde e segurança no trabalho com aumento da segurança interna e externa; e melhoria do
clima organizacional, maior produtividade, competitividade e lucratividade.
 Elaboração do Mapa de Riscos.
São utilizadas cores para identificar o tipo de risco, conforme a tabela de classificação dos riscos
ambientais. A gravidade é representada pelo tamanho dos círculos.
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 Círculo Pequeno: risco pequeno por sua essência ou por ser risco médio já protegido;
 Círculo Médio: risco que gera relativo incômodo, mas que pode ser controlado;
 Círculo Grande: risco que pode matar, mutilar, gerar doenças e que não dispõe de
mecanismo para redução, neutralização ou controle.
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 Tabela de classificação dos riscos.
Riscos Físicos
(verde)
Riscos
Químicos
(vermelho)
Riscos
Biológicos
(marrom)
Riscos
Ergonômicos
(amarelo)
Riscos de
Acidentes
(Azul)
Ridos Poeiras Vírus
Esforço físico
intenso
Arranjo físico
inadequado
Vibrações Fumos Bactérias
Transporte
manual de peso
Máquinas e
equipamentos
sem proteção
Radiações não
ionizantes
Neblinas Protozoários
Exigência de
postura
inadequada
Ferramentas
inadequadas ou
defeituosas
Radiações
ionizantes
Gases Fungos
Controle rígido
de
produtividade
Iluminação
inadequada
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Frio Vapores Parasitas
Imposição de
ritmos
excessivos
Eletricidade
Calor
Substancias,
compostos,
produtos
químicos em
geral
Bacilos
Trabalhos em
turnos diurno e
noturno
Probabilidade
de incêndio ou
explosão
Pressões
Anormais
Jornada de
trabalho
prolongada
Armazenamento
inadequado
Umidade
Monotonia e
repetitividade
Animais
peçonhentos
Outras
situações
causadoras de
sobrecarga
física e / ou
psíquica.
Outras
situações de
riscos
 Etapas de elaboração.
1. Conhecer o processo de trabalho do local avaliado.
 Os trabalhadores – número, sexo, idade, queixas de saúde, jornada, treinamento
recebido;
 Os equipamentos, instrumentos e materiais de trabalho;
 Atividades exercidas;
 O ambiente.
2. Identificar os agentes de riscos existentes no local avaliado, conforme a
tabela de classificação dos riscos ambientais.
3. Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia referente a:
 Proteção coletiva;
 Organização do trabalho;
 Proteção individual; e
 Higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouros, refeitórios,
 Área de lazer
4. Identificar os identificadores de saúde.
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 Queixas mais freqüentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos
riscos;
 Acidentes de trabalho ocorridos;
 Doenças profissionais diagnosticadas; e
 Causas mais freqüentes de ausência ao trabalho.
5. Elaborar o Mapa de Riscos, sobre uma planta ou desenho do local de
trabalho, indicando através do círculo:
 O grupo a que pertence o risco, conforme as cores classificadas;
 O número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro do
círculo;
 A especificação do agente (por exemplo: amônia, ácido clorídrico, repetitividade,
ritmo excessivo) que deve ser anotado também dentro do círculo;
 Intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser
representada por tamanhos proporcionalmente diferentes dos círculos.
 Se houver na empresa uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA,
esta deverá auxiliar os trabalhadores na elaboração do Mapa de Riscos.
Observe atentamente a sua seção ou fábrica e identifique as situações de risco de
acidentes na figura a seguir:
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Riscos físicos
Riscos químicos
Riscos biológicos
Riscos ergonômicos
Riscos de acidentes
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Observe o setor visto por cima:
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Agora, represente só com círculos a situação encontrada:
Guia de avaliação preliminar de riscos na empresa.
Os itens apontados a seguir, são apenas um exemplo dos riscos mais comuns aos diversos tipos
de riscos que devem ser observados para se elaborar um mapa de riscos, na observância de um
ou mais desses riscos, eles deverão ser anotados.
 Piso escorregadio Instrumentos de
corte;
 Trabalho em altura;
 Trabalho com eletricidade;
 Trabalho com cortes de material;
 Trabalho com agulhas;
 Consumo de drogas ou álcool;
 Vibração;
 Ruídos;
 Veneno líquido;
 Veneno, gás;
 Poeira intensa;
 Calor (forno, caldeiras);
 Frio (câmara fria);
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 Escada sem corrimão;
 Carga suspensa;
 Transporte e carregamento;
 Gás pressurizado;
 Improvisações;
 Inflamáveis;
 Explosivos;
 Remédios.
 Armas de fogo;
 Gás sob pressão;
 Substâncias químicas corrosivas;
 Líquidos em ebulição (fervendo);
 Elevadores de pessoas ou cargas;
 Má visibilidade;
 Falta de sinalização
 Inexistência de sinal sonoro;
 Trabalho em pé;
 Trabalho sentado;
 Mordedura de animais;
 Picadas de escorpião, aranha ou
cobra;
 Cigarros;
 Velas;
 Produtos de limpeza;
 Fósforo;
 Chuveiros e torneiras elétricas;
 Escadaria;
 Garrafas de vidro.
Medidas e equipamentos de proteção coletiva e individual.
Para prevenir os acidentes e as doenças decorrentes do trabalho, a ciência e as tecnologias
colocam à nossa disposição uma série de medidas e equipamentos de proteção coletiva e
individual. As medidas e os equipamentos de proteção coletiva visam, além proteger muitos
trabalhadores ao mesmo tempo, à otimização dos ambientes de trabalho, destacando-se por
serem mais rentáveis e duráveis para a empresa.
Exemplos.
 Limpeza e organização dos locais de trabalho.
 Sistema de exaustão colocado em um ambiente de trabalho onde há poluição.
 Isolamento ou afastamento de máquina muito ruidosa.
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 Colocação de aterramento elétrico nas máquinas e equipamentos.
 Proteção nas escadas através de corrimão, rodapé e pastilha antiderrapante.
 Instalação de avisos, alarmes e sensores nas máquinas, nos equipamentos e elevadores.
 Limpeza ou substituição de filtros e tubulações de ar-condicionado.
 Instalação de pára-raios.
 Iluminação adequada.
 Colocação de plataforma de proteção em todo o perímetro da face externa dos prédios
 Nas obras de construção, demolição e reparos.
 Isolamento de áreas internas ou externas com sinalização vertical e horizontal.
Definições de EPC e EPI
Equipamento de Proteção Coletiva – EPC: é toda medida ou dispositivo, sinal, imagem, som,
instrumento ou equipamento destinado à proteção de uma ou mais pessoas.
Equipamento de Proteção Individual – EPI: é todo dispositivo de uso pessoal, portanto,
destinado à proteção direta apenas do individuo.
Quando se usa o EPI.
 Quando não for possível eliminar o risco por outras medidas ou equipamentos de proteção
coletiva.
 Quando for necessário complementar a proteção coletiva.
 Em trabalhos eventuais ou emergenciais.
 Em exposição de curto período.
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Como escolher o EPI.
A escolha do EPI deve ser feita por pessoal especializado, conhecedor não só do equipamento,
como também das condições em que o trabalho é executado. É preciso conhecer também o tipo
de risco, a parte do corpo atingida, as características e qualidades técnicas do EPI, se possui
Certificado de Aprovação – CA do Ministério do Trabalho e Emprego e, principalmente, o grau de
proteção que o equipamento deverá proporcionar.
Classificação dos EPI’s.
Os equipamentos de proteção individual são classificados de conformidade com a parte do corpo
que deve ser protegida.
 Cabeça: protetores para o crânio e para o rosto. Para o crânio, usam se diversos tipos de
capacetes ou chapéus, e para o rosto utilizam-se protetores faciais;
 Olhos e nariz: óculos e máscaras;
 Ouvidos: protetores auditivos tipo concha ou plug de inserção;
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 Braços, mãos e dedos: luvas, mangotes e cremes protetores;
 Tronco: aventais e vestimentas especiais;
 Pernas e pés: perneiras, botas e calçados de segurança;
 Corpo inteiro: cintos de segurança contra quedas ou impactos;
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Obrigações legais.
Cabe ao empregador:
 Adquirir o tipo adequado à atividade do empregado;
 Fornecer gratuitamente ao empregado somente EPI aprovado pelo Ministério do Trabalho
e Emprego através do Certificado de Aprovação – CA;
 Orientar o trabalhador sobre o seu uso;
 Tornar obrigatório o uso;
 Substituí-lo, imediatamente, quando danificado ou extraviado;
 Responsabilizar-se pela sua higienização e manutenção periódica.
Cabe ao empregado:
 Usá-lo apenas para a finalidade a que se destina;
 Responsabilizar-se por sua guarda e conservação;
 Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso.
Adequando o trabalho ao homem.
Considerações.
Ao longo da história, os seres humanos não sofreram tantas modificações, enquanto as máquinas,
os equipamentos e as rotinas de trabalho estão em permanente transformação com a substituição
do trabalho manual por trabalhos mecanizados e automatizados, computadores e robôs,
significando que o desenvolvimento tecnológico já ultrapassou a capacidade humana de adaptação
tanto física quanto mental. A preocupação em estudar o homem, seu trabalho, suas capacidades e
necessidades, além das ferramentas, dos equipamentos e o meio ambiente deu origem à
Ergonomia, palavra de origem grega que significa:
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ERGON = trabalho
NOMOS = regras/normas;
significando as leis que regem o trabalho. A Ergonomia surgiu com o homem primitivo, na medida
em que este utilizava utensílios de barro para retirar e acumular água, cozinhar alimentos e até
mesmo quando usava os ossos de grandes animais e lascas de pedras para o corte e a defesa
física. Desde o seu nascimento, a Ergonomia preocupa-se com a qualidade de vida total do
indivíduo, preservando sua saúde física e mental, e promovendo segurança, conforto e eficiência.
Esta ciência parte do princípio de que todo ser humano é único, ou seja, não se pode separar o
corpo físico do corpo psíquico, pois eles estão a todo o momento interagindo.
Na percepção ergonômica, todo e qualquer trabalho possui dois componentes: o físico e o mental,
que necessitam de equilíbrio para proporcionar bem-estar e saúde aos trabalhadores. As pessoas
possuem estaturas e constituição física diferentes. Portanto, a capacidade de suportar sobrecarga
física e mental também varia de indivíduo para indivíduo. Estas características tão distintas devem
ser levadas em consideração no planejamento das tarefas e das condições de trabalho. É razoável
concluir que uma máquina, um equipamento, painel, plataforma, cadeira, mesa ou ferramenta de
trabalho com desenho inadequado e sem permitir ajustes de adequação para o usuário podem
provocar dores lombares, lesões nos músculos, tendões e articulações.
Por outro lado, a forma como o trabalho é organizado e as relações de trabalho têm significativos
papéis na determinação da saúde mental dos trabalhadores. Os objetivos práticos da Ergonomia
são a segurança e o bem-estar dos trabalhadores no seu relacionamento com os sistemas
produtivos.
Posições de trabalho.
Em pé.
As tarefas que exigem que o trabalhador fique constantemente em pé provocam uma sobrecarga
nas pernas. Estas podem ficar inchadas, pois os músculos não se movimentam o suficiente para
bombear a quantidade adequada de sangue de volta para o coração. Em conseqüência, aparecem
o cansaço e a redução da capacidade de concentração.
É impossível trabalhar em pé comodamente por muito tempo quando a altura em que as tarefas
são realizadas é inadequada ou quando os controles das máquinas e equipamentos não estão ao
alcance. É necessário que exista bastante espaço para os pés, para que o trabalhador possa
mudar de posição e distribuir alternativamente o peso. Roupas ou uniformes apertados dificultam
os movimentos durante o trabalho, por isso devem ser evitados.
A altura em que a tarefa é realizada é um fator importante, pois, se esta for incorreta, o organismo
se cansará mais facilmente. A altura deve ser ideal para que o trabalho possa ser realizado sem
que o trabalhador precise curvar as costas e de modo que os ombros permaneçam relaxados em
posição natural.
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Trabalho de precisão Trabalho leve Trabalho pesado
Quando se trabalha em pé é importante que:
 Os objetos necessários à execução da tarefa sejam de fácil alcance;
 A altura da bancada esteja ajustada à estatura do trabalhador, de forma que, quando este
estiver em pé, a superfície de trabalho esteja ao nível dos cotovelos, deste modo ele
poderá ficar com as costas eretas e os ombros relaxados;
 Trabalhador fique em uma posição ereta em frente à bancada e próximo dela, com o peso
distribuído igualmente entre as duas pernas;
 A altura da superfície de trabalho seja alterada de acordo com a natureza do trabalho; e os
comandos, tais como as alavancas ou interruptores, estejam em nível mais baixo do que
os ombros;
 A superfície sobre a qual o trabalhador esteja em pé seja adequada e resistente às
condições de trabalho;
 Os calçados sejam adequados, diminuindo a sobrecarga das costas e pernas.
O ideal é que o trabalhador possa alternar entre as posições sentado e em pé, e inclusive revezar
entre uma tarefa mais sedentária e outra que exija maior movimentação.
Sentado
Durante tarefas que não exigem muita força muscular e que podem ser executadas em áreas
limitadas, o trabalhador deve estar sentado. Toda a área deve estar ao alcance do trabalhador,
sem que ele necessite esticar ou torcer o corpo.
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Uma boa postura para quem trabalha sentado é estar próximo da mesa de trabalho, com as costas
eretas. A mesa e a cadeira devem ser desenhadas de forma que a superfície de trabalho esteja no
mesmo nível dos cotovelos e que a pessoa fique com as costas eretas e os ombros relaxados.
Ficar sentado o dia todo não faz bem para a saúde e é por isso que deverá haver variações e
alternâncias nas tarefas desenvolvidas para prevenção do sedentarismo. Para o trabalho de
precisão deverá haver apoio ajustável para os cotovelos, antebraços ou mãos.
Condições visuais.
É essencial que se veja claramente aquilo com que se está trabalhando. A maioria dos objetos
deve ficar a 50 centímetros de distância dos olhos. No caso de objetos muito pequenos, estes
devem ser colocados sobre uma superfície mais elevada, sendo algumas vezes necessário fazer
uso de uma lente de aumento.
Para reduzir o desconforto decorrente do trabalho sentado junto a máquinas ou terminais de
computador, recomenda-se:
 As condições da tela ou lente devem ser ajustadas cuidadosamente, de forma a
compatibilizá-las com a visão individual;
 A posição da tela e a distância entre esta e os olhos devem ser ajustáveis individualmente;
a iluminação deve ser adequada ao tipo de trabalho que está sendo realizado para evitar
ofuscamento ou reflexos.
Campo de visão para
leitura do vídeo
Linha de visão
horizontal na postura
ereto
Regulagem do ângulo
do monitor anti reflexo
Regulagem da altura
do monitor
Regulagem da altura
dos pés
Regulagem da altura
do assento
Regulagem do encosto
Apoio do braço
Apoio do punho
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 Certas atividades exigem uma iluminação complementar ou especial;
 As jornadas de trabalho deverão contar pausas para repouso visual; e o assento da
cadeira de trabalho deverá ter uma altura ajustável, para que cada pessoa possa trabalhar
na posição mais confortável possível.
Levantamento de cargas
O levantamento e o transporte manual de cargas pesadas devem ser evitados, devendo ser
realizados por equipamentos mecânicos.Se isto não for possível, várias pessoas devem trabalhar
juntas, sendo importante que todas utilizem os métodos corretos de levantamento. O levantamento
de peso deve ser realizado com o auxílio das pernas e não das costas. A postura correta deve ser
com os ombros para trás, as costas arqueadas e os joelhos dobrados. O peso deve ser mantido o
mais próximo possível do corpo. Para levantar a carga, manter as costas retas e, aos poucos,
esticar as pernas, observando:
 A carga próxima ao corpo;
 Os pés separados e o peso do corpo corretamente distribuído;
 A carga apoiada nas duas mãos;
 Os joelhos dobrados;
 O pescoço e as costas alinhados;
 As costas retas e as pernas em movimento de esticar.
Organização e conteúdo do trabalho.
Condições de trabalho adequadas contribuem para a segurança e a saúde dos trabalhadores, e
para melhorar a produção e a competitividade da empresa.
Para a Ergonomia, existem algumas decisões administrativas que auxiliam na melhoria da
organização e do conteúdo do trabalho:
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 Aumentar o grau de liberdade para a realização da tarefa, reduzindo a fragmentação e a
repetição;
 Permitir maior controle do trabalhador sobre o seu trabalho;
 Levar em conta que a capacidade produtiva de uma pessoa pode variar, e que essa
capacidade é diferente entre um indivíduo e outro;
 Estabelecer pausas, quando e onde cabíveis, durante a jornada de trabalho para relaxar,
distensionar e permitir a livre movimentação, sem aumento do ritmo ou da carga de
trabalho;
 Enriquecer o conteúdo do trabalho, nas tarefas e locais de atividade, para que a
criatividade e a realização profissionais sejam objetivos comuns das empresas e dos
trabalhadores;
 O mobiliário dos locais de trabalho deve permitir posturas confortáveis, ser adequado às
características físicas do trabalhador e à natureza das tarefas, e permitir liberdade de
movimentos;
 Ferramentas e instrumentos de trabalho devem ser adequados à tarefa e ao seu operador.
Conceitos.
Acidentes de trabalho. Visão legal e prevencionista.
É o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade do trabalho.
Considera-se também como sendo acidente de trabalho:
Doenças decorrentes do trabalho;
Doença ocupacional.
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É a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade.
Exemplo
O trabalho com manipulação de areia, sem a devida proteção, pode levar ao aparecimento de uma
doença chamada silicose. A própria atividade laborativa basta para comprovar a relação de causa
e efeito entre o trabalho e a doença.
Doença do trabalho
É a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e
com ele se relacione diretamente.
Exemplo
O trabalho num local com muito ruído e sem a proteção recomendada pode levar ao aparecimento
de uma surdez. Neste caso, necessita-se comprovar a relação de causa e efeito entre o trabalho e
a doença.
NÃO são consideradas como doenças do trabalho:
 A doença degenerativa, exemplo: diabetes;
 A inerente a grupo etário, exemplo: o reumatismo;
 A que não produza incapacidade laborativa, exemplo: a miopia;
 A doença endêmica, a exemplo da malária, adquirida por segurado habitante de região em
que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato
direto determinado pela natureza do trabalho.
EQUIPARA-SE ao acidente de trabalho:
I – O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído
diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda da sua capacidade para o
trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para sua recuperação;
II – o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em conseqüência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho;
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c) ato de imprudência (excesso de confiança), de negligência (falta de atenção) ou de imperícia
(inabilitação) de terceiro ou de companheiro de trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão, por exemplo, o louco; e
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos (quedas de raios) ou decorrentes de
força maior (enchentes);
III – a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade.
Exemplo, a AIDS adquirida por profissional de saúde ao manipular instrumento com sangue ou
outro produto derivado contaminado.
IV – o acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou
proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de
seus planos para melhorar capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de
locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o
meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado;
V – nos períodos destinados à refeição ou ao descanso, ou por ocasião da satisfação de outras
necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é considerado no
exercício do trabalho.
Principais conceitos.
Acidente: É o evento não-programado nem planejado que resulta em lesão, doença ou morte,
dano ou outro tipo de perda.
Incidente: É o evento que tem o potencial de levar a um acidente ou que deu origem a um
acidente.
Perigo: É a fonte ou situação com potencial para provocar danos ao homem, à propriedade ou ao
meio ambiente, ou a combinação destes.
Risco: É a combinação da probabilidade de ocorrência e da gravidade de um determinado evento
perigoso.
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Dano: É a conseqüência de um perigo, em termos de lesão, doença, prejuízo à propriedade, meio
ambiente ou uma combinação destes.
Saúde: É o equilibrado bem-estar físico, mental e social do ser humano.
Principais causas dos acidentes e doenças do trabalho
Inúmeros fatores contribuem para a ocorrência de acidentes e doenças nos locais de trabalho.
Geralmente, adotam-se concepções simples e erradas para aquilo que causou os acidentes ou
doenças, buscando-se, desta forma, o consolo para os infortúnios através da alegação de que foi
coisa do destino, má sorte, obra do acaso, castigo de Deus. Na verdade, todos os acidentes
podem ser evitados se providências forem adotadas com antecedência e de maneira
compromissada e responsável.
Estudos nacionais e internacionais informam que a maioria dos acidentes e doenças
decorrentes do trabalho ocorre, principalmente, por:
 Falta de planejamento e gestão gerencial compromissada com o assunto;
 Descumprimento da legislação;
 Desconhecimento dos riscos existentes no local de trabalho;
 Inexistência de orientação, ordem de serviço ou treinamento adequado;
 Falta de arrumação e limpeza;
 Utilização de drogas no ambiente de trabalho;
 Inexistência de avisos, ou sinalização sonora ou visual sobre os riscos;
 Prática do improviso (jeitinho brasileiro) e pressa;
Calçados, óculos ou
luvas não
adiantariam para
mim, pois sou um
azarado mesmo.
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 Utilização de máquinas e equipamentos ultrapassados ou defeituosos;
 Utilização de ferramentas gastas ou inadequadas;
 Iluminação deficiente ou inexistente;
 Utilização de escadas, rampas e acessos sem proteção coletiva adequada;
 Falta de boa ventilação ou exaustão de ar contaminado;
 Existência de radiação prejudicial à saúde;
 Utilização de instalações elétricas precárias ou defeituosas;
 Presença de ruídos, vibrações, calor ou frio excessivos;
 Umidade excessiva ou deficitária.
Comunicação de acidentes de trabalho.
Após a execução das medidas de primeiros socorros e assistência ao acidentado, toda empresa
deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da
ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável
entre o limite mínimo e o limite do salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas
reincidências. Em caso de morte, é obrigatória a comunicação à autoridade policial.
Aspectos legais.
Antecedentes sobre saúde e segurança do trabalho.
A vida em sociedade exige regras de comportamento fundamentais para sua sobrevivência. Assim,
as regras do Direito são necessárias para assegurar a convivência e a paz social. No mundo do
trabalho, os acidentes e doenças, além de provocarem elevados custos, agridem a integridade
física e mental do homem e conduzem à desarmonia social.
Responsabilidade legal.
O acidente e a doença do trabalho podem gerar responsabilidade penal, civil, administrativa,
acidentária do trabalho e trabalhista, sendo independentes as responsabilidades civil e criminal das
outras. Na visão jurídica, os acidentes e doenças decorrentes do trabalho, em sua maioria,
ocorrem devido à culpa. Culpa é uma conduta, ação ou omissão de alguém que não quer que o
dano aconteça, mas ele ocorre pela falta de previsão daquilo que é perfeitamente previsível. O ato
culposo é aquele praticado por negligência, imprudência ou imperícia.

  •   Negligencia: é a omissão voluntária de diligência ou cuidado – falta de    atenção.
  •   Exemplo: fazer limpeza em uma máquina em funcionamento.
  •   Imprudência: consiste na falta involuntária de observância das medidas de precauções e

segurança, de conseqüência previsível, que se faziam necessárias no momento para evitar
um mal ou a infração da lei – excesso de confiança.
Exemplo: Empilhar caixas e volumes sem obedecer às recomendações de arrumação, trânsito,
carga e descarga.
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  •   Imperícia – é a falta de aptidão especial, habilidade, experiência, ou de previsão no

exercício de determinada função, profissão, arte ou ofício. Exemplo: Conduzir veículo,
operar máquina ou equipamento sem possuir habilitação, curso ou treinamento adequado
e obrigatório.
O que normalmente se pede numa ação de indenização:

  •   Indenização pelo acidente do trabalho em determinado valor;
  •   Pensão mensal vitalícia;
  •   Indenização por danos morais;
  •   Indenização por danos estéticos;
  •   Indenização por lucros cessantes;

Despesas médicas; medicamentos e próteses mecânicas, dependendo do caso.

O somatório das perdas, muitas delas irreparáveis, é avaliado e determinado levando-se em
consideração os danos causados à integridade física e mental do trabalhador, os prejuízos da
empresa e os demais custos resultantes para a sociedade.
Danos causados ao trabalhador
As estatísticas da Previdência Social, que registram os acidentes e doenças decorrentes do
trabalho, revelam uma enorme quantidade de pessoas prematuramente mortas ou incapacitadas
para o trabalho. Os trabalhadores que sobrevivem a esses infortúnios são também atingidos por
danos que se materializam em:

  •  Sofrimento físico e mental;
  •  Cirurgias e remédios;
  •  Próteses e assistência médica;
  •  Fisioterapia e assistência psicológica;
  •  Dependência de terceiros para acompanhamento e locomoção;
  •  Diminuição do poder aquisitivo;
  •  Desamparo à família;
  •  Estigmatização do acidentado;
  •  Desemprego;
  •  Marginalização;
  •  Depressão e traumas.
  • Prejuízos da empresa

As micro e pequenas empresas são fortemente atingidas pelas conseqüências dos
acidentes e doenças, apesar de nem sempre os seus dirigentes perceberem este fato. O custo
total de um acidente é dado pela soma de duas parcelas: uma refere-se ao custo direto (ou custo
segurado), a exemplo do recolhimento mensal feito à Previdência Social, para pagamento do
seguro contra acidentes do trabalho, visando a garantir uma das modalidades de benefícios
estabelecidos na legislação previdenciária.A outra parcela refere-se ao custo indireto (custo não
segurado). Estudos informam que a relação entre os custos segurados e os não segurados é de 1
para 4, ou seja, para cada real gasto com os custos segurados, são gastos 4 com os custos não
segurados.O somatório das perdas, muitas delas irreparáveis, é avaliado e determinado levando-se em
consideração os danos causados à integridade física e mental do trabalhador, os prejuízos da
empresa e os demais custos resultantes para a sociedade.
Danos causados ao trabalhador
As estatísticas da Previdência Social, que registram os acidentes e doenças decorrentes do
trabalho, revelam uma enorme quantidade de pessoas prematuramente mortas ou incapacitadas
para o trabalho. Os trabalhadores que sobrevivem a esses infortúnios são também atingidos por
danos que se materializam em:

  • Sofrimento físico e mental;
  •  Cirurgias e remédios;
  •  Próteses e assistência médica;
  •  Fisioterapia e assistência psicológica;
  •  Dependência de terceiros para acompanhamento e locomoção;
  •  Diminuição do poder aquisitivo;
  •  Desamparo à família;
  •  Estigmatização do acidentado;
  •  Desemprego;
  •  Marginalização;
  •  Depressão e traumas.

Prejuízos da empresa
As micro e pequenas empresas são fortemente atingidas pelas conseqüências dos
acidentes e doenças, apesar de nem sempre os seus dirigentes perceberem este fato. O custo
total de um acidente é dado pela soma de duas parcelas: uma refere-se ao custo direto (ou custo
segurado), a exemplo do recolhimento mensal feito à Previdência Social, para pagamento do
seguro contra acidentes do trabalho, visando a garantir uma das modalidades de benefícios
estabelecidos na legislação previdenciária.A outra parcela refere-se ao custo indireto (custo não
segurado). Estudos informam que a relação entre os custos segurados e os não segurados é de 1
para 4, ou seja, para cada real gasto com os custos segurados, são gastos 4 com os custos não segurados.
A responsabilidade do empregador encontra-se definida, principalmente, na legislação citada a seguir:
Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988, Capítulo II – Dos direitos Sociais;
Código Civil Brasileiro, Lei 10.406, de 11/01/2002:
 “Art. 7º – São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social”;
 “XXXIII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene
e segurança;”
 “XXVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a
indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa”;
 “Art. 186 – Aquele que, por ação ou omissão, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato lícito;”
 “Art. 927 – Aquele que, por ato ilícito (art. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo. Parágrafo único – Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de
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culpa, nos casos específicos em lei, ou quando normalmente desenvolvida pelo autor do
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.”
Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, Decreto-Lei 5.452, de 1º de maio de 1943.
Título II, Capítulo V – Da Segurança e da Medicina do Trabalho, Artigos de 154 a 201.
Comentários sobre as trinta e três normas regulamentadoras urbanas e cinco rurais do Ministério
do Trabalho e Emprego – MTE. Uma Norma Regulamentadora (NR) objetiva explicitar as
determinações contidas nos artigos 154 a 201 da CLT, para que sirvam de balizamento, de
parâmetro técnico às pessoas ou empresas que devem atender aos ditames legais e que, também,
devem observar o pactuado nas Convenções e nos Acordos Coletivos de Trabalho de cada
categoria e nas Convenções Coletivas sobre Prevenção de Acidentes. Considerando-se a interrelação
existente entre as normas regulamentadoras, o propósito é o de indicar efetivamente essa
ocorrência, demonstrando, na prática prevencionista, que muito pouco adianta atender a uma sem
levar em consideração o que na maioria dos casos dispõe a outra. As normas regulamentadoras
poderão ser obtidas, na íntegra, no endereço (internet) http://www.mte.gov.br.
Resumo das normas regulamentadoras.
 NR 1: Disposições legais.
As empresas privadas e públicas que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis
do Trabalho – CLT deverão cumprir as normas regulamentadoras relativas à segurança e à
medicina do trabalho.
 NR 2: Inspeção prévia.
Todo estabelecimento novo deverá solicitar aprovação de suas instalações ao órgão regional do
Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, que emitirá o CAI-Certificado de Aprovação de
Instalações.
 NR 3: Embargo ou interdição.
A Delegacia Regional do Trabalho poderá interditar e/ou embargar o estabelecimento, as
máquinas, o setor de serviços, se eles demonstrarem grave e iminente risco para o trabalhador.
 NR 4: Serviços Especializados em Medicina e Segurança do Trabalho – SESMT.
Será implantado na empresa conforme a gradação do risco da atividade principal e o número total
e empregados do estabelecimento.
 NR 5: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA.
Todas as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, instituições beneficentes,
cooperativas, os clubes, desde que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do
Trabalho – CLT, dependendo do grau de risco da empresa e do número mínimo de 20
empregados, são obrigados a constituir e manter a CIPA.
 NR 6: Equipamentos de Proteção Individual – EPI.
As empresas são obrigadas a fornecer gratuitamente aos seus empregados equipamentos de
proteção individual – EPI, destinados a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. Todo
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equipamento deve ter o CA – Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego –
MTE.
 NR 7: Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMOS.
Trata dos exames médicos obrigatórios (admissional, periódico, por mudança de função ou
demissional) e do programa de acompanhamento da saúde dos empregados.
 NR 8: Edificações.
Define os parâmetros para as edificações, observando-se a proteção contra a chuva, insolação
excessiva ou falta de insolação. Devem-se observar as legislações pertinentes dos níveis federal,
estadual e municipal.
 NR 9: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA.
Objetiva a preservação da saúde e a integridade do trabalhador, através da antecipação, da
avaliação e do controle dos riscos ambientais existentes, ou que venham a existir no ambiente de
trabalho.
 NR 10: Instalações e Serviços de Eletricidade.
Trata das condições mínimas para garantir a segurança daqueles que trabalham em instalações
elétricas, em suas diversas etapas, incluindo projetos, operação, reforma e ampliação, incluindo
terceiros e usuários.
 NR 11: Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais.
Destina-se à prevenção de acidentes na operação de elevadores, guindastes, transportadores
industriais e máquinas transportadoras.
 NR 12: Máquinas e equipamentos.
Regulamente as instalações e áreas de trabalho; distâncias mínimas entre as máquinas e os
equipamentos; dispositivos de acionamento, partida e parada das máquinas e equipamentos.
 NR 13: Caldeiras e vasos de pressão.
Estabelece competências nas atividades referentes ao projeto de construção, acompanhamento de
operação e manutenção, inspeção e supervisão de caldeiras e vasos de pressão.
 NR 14: Fornos.
Define os parâmetros para a instalação de fornos; cuidados com gases, chamas, líquidos. Devemse
observar as legislações pertinentes nos níveis federal, estadual e municipal.
 NR 15: Atividades e operações insalubres.
Considera atividade insalubre aquela que ocorre além dos limites de tolerância – LT. O limite de
tolerância assegura que a intensidade, a natureza e o tempo de exposição ao agente não causarão
dano à saúde do trabalhador durante a sua vida laboral.
 NR 16: Atividades e operações perigosas.
Considera atividade perigosa àquela que ocorre além dos limites de tolerância – LT. As atividades
perigosas são ligadas a explosivos, inflamáveis e energia elétrica.
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 NR 17: Ergonomia.
Estabelece os parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características
psicofisiológicas do homem.
 NR 18: Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Construção – PCMAT.
Estabelece o elenco de providências a serem executadas, em função do cronograma de uma obra,
levando-se em conta os riscos de acidentes e doenças do trabalho, e as suas respectivas medidas
de segurança.
 NR 19: Explosivos.
Estabelece os parâmetros para o depósito, o manuseio e o armazenamento de explosivos.
 NR 20: Líquidos combustíveis e inflamáveis.
Define os parâmetros para o armazenamento de combustíveis e inflamáveis.
 NR 21: Trabalho a céu aberto.
Define o tipo de proteção aos trabalhadores que trabalham sem abrigo contra intempéries,
insolação e condições sanitárias.
 NR 22: Trabalho subterrâneo.
Destina-se aos trabalhos em minerações subterrâneas ou a céu aberto, garimpos, beneficiamento
de minerais e pesquisa mineral.
 NR 23: Trabalho subterrâneo.
Estabelece a proteção contra incêndio; saídas para retirada de pessoal em serviço e/ou público;
pessoal treinado e equipamentos. As empresas devem observar também as normas do Corpo de
Bombeiros sobre o assunto.
 NR 24: Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho.
Todo estabelecimento deve atender às determinações desta norma, no tocante à otimização das
condições, e às instalações sanitárias e de conforto.
 NR 25: Resíduos industriais.
Objetiva a eliminação dos resíduos gasoso, sólido, líquido de alta toxidade, periculosidade, risco
biológico e radioativo.
 NR 26: Sinalização de Segurança.
Estabelece as cores na segurança do trabalho como forma de prevenção, evitando a distração, a
confusão e a fadiga do trabalhador, bem como cuidados especiais quanto a produtos e locais
perigosos.
 NR 27: Registro profissional do técnico de segurança no Ministério do Trabalho e
Emprego.
O técnico em segurança do trabalho deve ser portador de, no mínimo, certificado de conclusão do
Ensino Médio, com currículo estabelecido e aprovado pelo Ministério da Educação – MEC e registro
profissional no Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.
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 NR 28: Fiscalização e penalidades.
Estabelece uma gradação de multas, para cada item das normas. Estas gradações são divididas
por número de empregados, risco na segurança e risco em medicina do trabalho. O auditor fiscal
do trabalho, baseado em critérios técnicos, autua o estabelecimento, faz a notificação e concede
prazo para a regularização e/ou defesa.
 NR 29: Segurança e saúde no trabalho portuário.
Regula a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais, estabelece os primeiros
socorros a acidentados, visando a alcançar as melhores condições de segurança e saúde para os
trabalhadores portuários.
 NR 30: Segurança e saúde no trabalho aquaviário.
Estabelece a proteção e a regulamentação do trabalho e das condições ambientais no trabalho
aquaviário.
 NR 31: Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura,
Exploração Florestal e Aqüicultura.
Esta Norma Regulamentadora tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na
organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o
desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e
aqüicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho.
 NR 32: Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde.
Esta Norma Regulamentadora tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a
implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de
saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral.
 NR 33: Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados
Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de espaços
confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de
forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta
ou indiretamente nestes espaços.
Glossário.
ART: Anotação de Responsabilidade Técnica.
ASO: Atestado de Saúde Ocupacional
CA: Certificado e Aprovação
CAI: Certificado de Aprovação de Instalações
CANPAT: Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho
CANPATR: Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho Rural
CAT: Comunicação de Acidente do Trabalho
CIPACIPATR

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CF –
CLT –
CNAECNPJ

CREA –
CTPS –
DORT –
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho
Rural
Constituição Federal
Consolidação das Leis do Trabalho
Classificação Nacional de Atividades Econômicas
Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
Carteira de Trabalho Previdência Social
Doença Osteomuscular Relacionada ao Trabalho
e
Lista de siglas
DRT –
ECA –
EPC –
EPI –
FGTS –
FUNDACENTRO –
INSS –
LER –
MTENRNRROGMOOIT

OMSOPASPASEP

PAT –
Delegacia Regional do Trabalho
Estatuto da Criança e do Adolescente
Equipamento de Proteção Coletiva
Equipamento de Proteção Individual
Fundo de Garantia por Tempode Serviço
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Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho
Instituto Nacional do Seguro Social
Lesões por Esforços Repetitivos
Ministério do Trabalho e Emprego
Norma Regulamentadora
Norma Regulamentadora Rural
Órgão Gestor de Mão-de-obra
Organização Internacional do Trabalho
Organização Mundial da Saúde
Organização Pan-americana da Saúde
Programa de Assistência ao Servidor Púbico
Programa de Alimentação do Trabalhador
PIB –
PIS –
PPRA –
SEBRAE –
SENACSENAI

SEPART –
SESI –
SESMT –
SEST –
SIPAT –
SUSTRCT

TST –
Produto Interno Bruto
Programa de Integração Social
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Serviço Especializado de Prevenção de Acidentes do Trabalho
Rural
Serviço Social da Indústria
Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em
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Medicina do Trabalho
Serviço EspecializadoemSegurança e Saúde no Trabalho
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho
Sistema Único de Saúde
Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho
Tribunal Superior do Trabalho

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