Logística

Francisco Ferraes Neto

Maurício Kuehne Junior

O objetivo deste capítulo é demonstrar alguns conceitos relacionados à

atividade  logística  e  como  esta  atividade  pode  ser  melhor  compreendida  e

implementada em qualquer tipo e porte de organização. Para tanto, o texto está

subdividido em 5 seções. A primeira seção conceitua o termo logística, explicando

o porque de cada vez mais estarmos escutando tanto a palavra em questão. A

seção 2 busca informar o leitor a respeito do que é e de como gerenciar uma

cadeia de abastecimento ou “Supply Chain”, como está sendo mais conhecida.

A seção 3, Logística e Competitividade, trata de um fator muito importante

dentro de qualquer organização que é a diferenciação e de como a logística pode

colaborar nesse processo de “vida ou morte” das organizações. A seção 4 trata

da  análise  das  aplicações  logísticas,  dividindo-as  em  4  grandes  grupos,

respondendo a algumas questões bastante polêmicas. Por ultimo, porém não

menos importante, o capítulo irá demonstrar ao leitor a importância da estratégia

logística,  inclusive  com  uma  comparação  histórica  das  atividades  em  uma

organização, chegando à estratégica filosofia do Just-in-time.

1   O que é logística?

Muito  se  fala  a  respeito  da  logística  como  sendo,  atualmente,  a
responsável  pelo  sucesso  ou  insucesso  das  organizações.  Porém,  o  que  se
pode  perceber  no  mercado  é  que  muito  pouco  se  sabe  sobre  as  atividades
logísticas e como as mesmas devem ser definidas nas organizações. É importante
então evitar que situações de modismo acabem por influenciar o uso errado da
palavra e, o que seria muito pior, de suas técnicas e atividades. Mas, afinal, o que é realmente a logística?
Pode-se definir logística como sendo a junção de quatro atividades
básicas: as de aquisição, movimentação, armazenagem e entrega de produtos.Para  que  essas  atividades  funcionem,  é  imperativo  que  as  atividades  de planejamento  logístico,  quer  sejam  de  materiais  ou  de  processos,  estejam intimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing. O termo Logística, de acordo com o Dicionário Aurélio, vem do francês logistique e tem como uma de suas definições a “parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de: projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos)”. É preciso atentar para a definição correta do termo logística e a sua aplicação como diferencial competitivo em qualquer tipo de organização Pela definição do Council of Logistics Management, “Logística é a parte do Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semiacabados e produtos acabados, bem como as informações a eles  relativas,  desde  o  ponto  de  origem  até  o  ponto  de  consumo,  com  o propósito de atender às exigências dos clientes”. Existem diversos tipos de organização, sejam privadas ou públicas, que  se  utilizam  dos  serviços  logísticos,  como  empresas  manufatureiras, empresas  de  transporte,  empresas  alimentícias,  Forças  Armadas,  serviços postais, distribuição de petróleo, transporte público e muitas outras. Logística é a chave de muitos negócios por muitas razões, entre as quais incluímos  o  alto  custo  de  operação  das  cadeias  de  abastecimento.  Pode-se perceber que a tendência das organizações é a horizontalização, atividade em que muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia de fornecimento passam a ser produzidos por outras empresas, ampliandoo número de fontes de suprimento e dificultando a administração desse exércitode fornecedores. Alguém pode estar perguntando: se os custos são tão altos,por que então horizontalizar e criar demanda para atividades logísticas?A  resposta  para  a  indagação  acima  se  resume  em  duas  palavras:Mercado  Globalizado.  À  medida  que  as  empresas  investem  em  parceiroscomerciais, aumentam os gastos com o planejamento de toda a cadeia. Mas,analisando essa situação de forma holística, percebe-se que há uma reduçãode custos. Mais importante do que tal redução, a atividade logística passa aagregar valor, melhorando os níveis de satisfação dos usuários. Entretanto, amudança  na  atividade  logística  se  não  for  acompanhada  por  todas  as

organizações, levará à falência daquelas que não se enquadrarem. Mas aindapode ficar uma questão a ser resolvida: como se dá a redução nos custos?Tal redução, acompanhada de um estudo logístico, é explicada pelaespecialização das empresas fornecedoras, haja vista que as mesmas acabampor investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentos dos materiais,até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia, e que agorapassarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. A partirdesse  momento,  a  tendência  é  que  exista  uma  redução  de  custos,proporcionada  pelo  ganho  de  escala  na  produção  e  pelo  desenvolvimentotecnológico, focado agora em uma determinada linha de produto.Como se pode perceber, a atividade logística está inserida em diversospontos da organização e sua correta aplicação se faz necessária para o bom

andamento das atividades.

2   O gerenciamento da cadeia de abastecimento

Atualmente as organizações são desafiadas a operar de forma eficiente e

eficaz  para  garantir  a  continuidade  de  suas  atividades,  o  que  as  obriga  a

constantemente  desenvolver  vantagens  em  novas  frentes  de  atuação.  As

demandas impostas pelo aumento da complexidade operacional e pela exigência

de maiores níveis de serviço pelos clientes, mas que anseiam por preços declinantes,

servem de exemplo aqui. Surge uma questão: como agregar mais valor e, ao mesmo

tempo, reduzir os custos, garantindo o aumento da lucratividade?

A logística tem sido uma das maneiras mais freqüentemente utilizadas

para vencer esses desafios. A explicação reside na sua capacidade de evoluir

para responder as necessidades advindas das profundas e constantes mudanças

que as organizações estão enfrentando. O modo como a logística vem sendo

aplicada e desenvolvida, no meio empresarial e acadêmico, denota a evolução

do seu conceito, a ampliação das atividades sob sua responsabilidade e, mais

recentemente, o entendimento de sua importância estratégica.

Em seu estágio mais avançado, está sendo utilizada para o planejamento

de processos de negócios que integram não só as áreas funcionais da empresa,

como  também  a  coordenação  e  o  alinhamento  dos  esforços  de  diversas

organizações na busca por reduzir custos e agregar o máximo valor ao cliente

final. A isto tem sido dado o nome de Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento

ou, em inglês, Supply Chain Management.

Em uma primeira fase, a logística foi aplicada de forma fragmentada,

onde se buscou melhorar o desempenho individual de cada uma das atividades

básicas. Ou seja, não havia uma abordagem sistêmica, a ênfase era funcionale a execução dava-se por departamentos especializados. No momento seguinte,diversos fatores evidenciaram o imperativo de que as atividades funcionaisdeveriam ser executadas de forma integrada e harmoniosa para obter-se umaboa performance da organização. O avanço na tecnologia da informação e aadoção  de  um  gerenciamento  orientado  para  processos  facilitaram  essamudança. Essa etapa é conhecida como logística integrada.Isto culminou com a percepção de que o processo logístico não começae nem termina nos limites da própria empresa. Na verdade, o início se dá nacorreta escolha e no estabelecimento de parcerias com fornecedores, exigindoademais  que  o  canal  de  distribuição  esteja  apto  a  atender  plenamente  àsnecessidades  e  expectativas  do  cliente  final.  Para  citar  um  exemplo,  um

fabricante  de  barras  de  chocolate  só  atingirá  sucesso  pleno  quando  o

consumidor  aprovar  a  qualidade  de  seu  produto  e  do  serviço  ofertado  no

momento da compra. Isso reforça a idéia de que esse fabricante e o varejo

devem se unir e focar sua atenção na agregação de valor para o cliente final. Se

isto não acontecer, toda a cadeia terá falhado e poderá ser substituída por

outra mais apta.

Esse fato mostra que a competição está acontecendo entre cadeias.

Diante  desse  cenário,  muitas  empresas  vêm  empreendendo  esforços  para

organizar uma rede integrada e realizar de forma eficiente e ágil o fluxo de

materiais, que vai dos fornecedores e atinge os consumidores, garantindo a

sincronização com o fluxo de informações que acontece no sentido contrário.

As  empresas  que  têm  implementado  o  Gerenciamento  da  Cadeia  de

Abastecimento  estão  conseguindo  significativas  reduções  de  estoque,

otimização dos transportes e eliminação das perdas, principalmente aquelas

que acontecem nas interfaces entre as organizações e que são representadas

pelas duplicidades de esforços. Como agregação de valor, estão conseguindo

maior confiabilidade e flexibilidade, melhoram o desempenho de seus produtos

e estão conseguindo lançar novos produtos em menores intervalos de tempo.

Em suma, o Supply Chain Management consiste no estabelecimento de

relações de parceiras, de longo prazo, entre os componentes de uma cadeia

produtiva, que passarão a planejar estrategicamente suas atividades e partilhar

informações de modo a desenvolverem as suas atividades logísticas de forma

integrada, através e entre suas organizações. Com isso, melhoram o desempenho

conjunto pela busca de oportunidades, implementada em toda a cadeia, e pela

redução de custos para agregar mais valor ao cliente final.

Apesar dos expressivos resultados obtidos, muitas dificuldades existem

na implementação desse conceito, pois torna-se necessária uma profunda análise

na cultura das empresas que irão compor a cadeia. A visão funcional deve ser

abandonada, informações precisam ser compartilhadas, inclusive aquelas sobre

os custos. Os relacionamentos devem ser construídos com base em confiança
mútua; o horizonte de tempo desloca-se do curto para o longo prazo e um dos
elos, chamado de elo forte, será responsável pela coordenação do sistema e seu
desempenho neste papel será fundamental par o atingimento dos objetivos.
Um outro desafio é equacionar os diferentes tamanhos e objetivos dos
componentes, e como isso exige uma mudança de cultura, o estabelecimento da
cadeia requer tempo e esforço. Dada a complexidade desse novo arranjo, que
passa a ter dimensão interorganizacional, a medição de desempenho necessita
de indicadores que permitam o controle da performance da cadeia como um
todo. Não se pode esquecer que deve existir compatibilidade entre os sistemas
de informação dos elos, que muitas vezes se utilizam de plataformas diferentes.
Por último, e muitas vezes esquecido, está o fato de que o elemento humano é de
suma importância e, portanto, deverá ser treinado e estar preparado para esta
nova realidade. Cabe registrar a escassez de profissionais nessa área, em especial,
aqueles com visão sistêmica e conhecedores de todas as atividades logísticas.
Embora o conceito de Supply Chain Management ainda esteja sendo
desenvolvido e não exista uma metodologia única para a sua implementação,
a  sua  adoção  poderá  ser  uma  fonte  potencial  de  obtenção  de  vantagem
competitiva para as organizações e mostra-se como um caminho a ser seguido
pelas demais. No Brasil, a maioria das empresas ainda está aplicando a logística
de forma embrionária, o que as coloca em desvantagem diante de concorrentes
externos. Poucos são os segmentos mais adiantados, como os da indústria
automobilística e dos supermercados, que adotaram tais medidas. Esforços
para mudar este cenário já estão acontecendo, o que permite uma visão mais
otimista na aplicação da logística no aproveitamento de seus benefícios para
o país, melhorando assim nossa capacidade de competir.
3   Logística e competitividade
Competir é preciso e, portanto, uma realidade que não se pode mais
ignorar. Assim, todas as organizações buscam diferenciar-se de seus concorrentes
para conquistar e manter clientes. Só que isto está se tornando cada vez mais
difícil. O aumento da arena competitiva, representado pelas possibilidades de
consumo e produção globalizadas, a necessidade de que se façam lançamentos
mais freqüentes de novos produtos, os quais, em geral, terão ciclos de vida
curtos, e a mudança no perfil dos clientes, cada vez mais bem informados e
exigentes, forçam as empresas e serem criativas, ágeis e flexíveis, mas também a
aumentar  a  sua  qualidade  e  confiabilidade.  Sem  dúvida,  tarefas  que  estão
desafiando os executivos em todo o mundo e exigindo maiores esforços.
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Logística de Otimização:
Guarda Volumes;
Guarda Móveis;
Guarda Documentos;
Mudanças;
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