Logística de otimização

LOGÍSTICA  OTIMIZAÇÃO DO TRANSPORTE

E ESTOQUES NA EMPRESA

Dieter Goebel

Mestre pela USP e consultor independente professor

do ECEX  IE/UFRJ e do PIT  COPPE/UFRJ.

1. A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA NO COMÉRCIO EXTERIOR

Entende-se  por  logística  o  conjunto  de  todas  as  atividades  de  movimentação  e  armazenagem necessárias, de modo a facilitar o fluxo de produtos do ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, como também dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento,  obtendo níveis de serviço adequados aos clientes, a um custo razoável.

Inicialmente, a logística foi utilizada na área militar de modo a combinar da forma mais eficiente, quanto a tempo e custo, e com os recursos disponíveis realizar o deslocamento   das tropas e suprí-las com armamentos, munição e alimentação durante o trajeto, expondo-as o mínimo possível ao inimigo.

À  medida  que  a  economia  mundial  vai  se  tornando  cada  vez  mais  globalizada,  e  o  Brasil  vai incrementando gradativamente o seu   comércio exterior, a logística passa a ter um papel acentuadamente mais  importante,  pois  comércio  e  indústria  consideram  o  mercado  mundial  como  os  seus  fornecedores  e clientes.

Tendo  em  vista  que,  habitualmente,  são  utilizadas  diferentes  modalidades  de  transporte,  moedas, sistemas cambiais, políticas de incentivo ou contenção pelos países, quer na importação ou exportação, a logística  internacional  requer  alguns  cuidados  dispensáveis  quando  se  opera  unicamente  com  o  mercado doméstico. Casos recentes de exemplos que provocaram efeitos na logística das empresas são: o terremoto no  Japão,  que  afetou  o  porto  Kobe  e    parte  das  importações  provenientes  desse  país,  e  os  problemas  no balanço  de  pagamentos  do  México  que  resultou,  principalmente,  em  direcionamento  das  exportações.  O “Jornal  do  Comércio”  noticiava,  em  janeiro  de  1995,   que  pela  primeira  vez  a  globalização  da  economia sentia a crise financeira e monetária do México, que também repercutiu nos países europeus.

Devido  ao  número  de  operações  necessárias  para  realização  das  operações  de  comércio  exterior, exige-se que os volumes transacionados, geralmente também sejam superiores àqueles comercializados no mercado  doméstico.  Nesse  caso,  o  volume  compensa  os  custos  dessas  atividades  adicionais.  A  diferença de magnitude dos volumes por embarque, comparada com transações realizadas normalmente no mercado nacional,  por  si  só  já  exige  uma  estrutura  física  diferente  ao  longo  da  cadeia,  de  modo  a  manter  o  custo final da transação o menor nível possível e comercialmente viável.

ECEX/IE/UFRJ  Curso de Pós-Graduação em Comércio Exterior

Logística  otimização do transporte e estoques na empresa [prof. Dieter Goebel]

Estudos em Comércio Exterior Vol. I  1  jul/dez 1996  (ISSN  1413-7976)

2. A QUALIDADE TOTAL EM SERVIÇOS DE LOGÍSTICA

Entende-se por Qualidade o atendimento das necessidades do cliente continuamente. Baseia-se na

prevenção  de  aspectos  relativos  à  Não-Qualidade  tais  como:  erros,  defeitos  na  realização  de  serviços  e

produção de bens, tempo desperdiçado, demoras, falhas, falta de segurança nas condições de trabalho, erro

na compra de produtos, serviço desnecessário e produtos inseguros.

Há  algumas  características  associadas  a  serviços  que  diferenciam  essa  atividade  da  fabricação  de

produtos e, por isso, precisam ser consideradas, quando aplicadas as técnicas de Qualidade Total. Vejamos

quais são algumas na   área de logística:

Serviços  são  produzidos  e  consumidos  simultaneamente,  ou  seja,  não  podem  ser  estocados  para

serem consumidos posteriormente, e isto significa que qualquer defeito na produção do serviço já afetou o

consumidor, o que não ocorre necessariamente na produção de bens.

Na  indústria  é  possível  prevenir  a  ocorrência  de  defeitos,       antes  que  o  mesmo  seja  oferecido  ao

mercado. Na prestação de serviços, o cliente geralmente percebe os defeitos embora o prestador de serviço

nem sempre, e isso afeta a satisfação do cliente.

A  quantificação  de  defeitos  na  indústria  é  mais  simples  de  ser  realizada,  enquanto  no  setor  de

serviços  os  defeitos  ficam  mais  facilmente  encobertos.  Como,  por  exemplo,  quantificar  o  efeito  sobre  as

vendas de um cliente que é mal atendido ou que não recebe um telefonema de retorno ou a providência de

um serviço executado com defeito?

No setor de serviços quem presta o serviço frequentemente fica distante de quem o controla.

As   necessidades   e   preferências   do   cliente   constituem   o   coração   de   qualquer   Programa   de

Qualidade Total. Um dos papas da Qualidade Total, o Dr. Deming, apresentou 14 pontos fundamentais a

serem observados na implantação de um programa de Qualidade na área de serviços que são apresentados

sucintamente na relação abaixo:

1- Melhore constantemente a qualidade de produtos e serviços. É um objetivo sem fim.

2- Adote a nova filosofia

3- Elimine a necessidade de inspeção em massa

4- Pare de escolher fornecedores apenas com base nos preços

5- Melhore o sistema continuamente

6- Institua o treinamento   e retreinamento no próprio serviço

7- Institua liderança

8- Elimine o medo

9- Quebre barreiras entre departamentos

10- Elimine slogans, exortações e objetivos arbitrários para a força de trabalho

11-Elimine cotas numéricas para a força de trabalho e objetivos numéricos para administração

12- Crie orgulho pela habilidade profissional

13- Institua um programa vigoroso de educação e melhoria para cada um

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Logística  otimização do transporte e estoques na empresa [prof. Dieter Goebel]

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14- Faça cada um na empresa tomar os passos para acompanhar a transformação

3. ESTOQUES

3.1 ADMINISTRAÇÃO DOS ESTOQUES

A   função   dos   estoques   no   suprimento   é   agir   como   amortecedores   entre   suprimento   e   as

necessidades de produção. Os benefícios gerados no sistema são:

– garantia de maior disponibilidade de componentes para a linha de produção,

–  redução  do  tempo  previsto  pela  administração  para  ter  a  disponibilidade  desejada,  além  de

permitirem a redução dos custos de transporte através de maiores embarques.

Se  as  demandas  pelos  produtos  da  empresa  forem  conhecidas  com  exatidão  e  as  mercadorias

puderem  ser  fornecidas  instantaneamente,  (excluída  a  manutenção  de  estoques  de  matéria  prima  como

prevenção ao aumento de preços) teoricamente não há necessidade de manter estoques. É verdade que as

modernas técnicas de gestão de estoques conseguiram reduzir  sensivelmente os níveis,  mas  não  quanto  a

todos os itens, principalmente quando a sua gama é muito ampla.

As    características     que    geralmente     devem    ser    obedecidas     para    manutenção     de    qualquer

componente da linha de produção em estoque são as seguintes:

– Compras em quantidades iguais ou superiores a um lote mínimo

– Há descontos por volume

– Valores relativamente baixos

– Utilização em vários modelos ou produtos

– É econômico comprá-lo juntamente com outros itens

– Há tabelas de fretes que favorecem a compra em lotes grandes

– O grau de incerteza quanto ao prazo de entrega (“lead time”) é elevado

A   manutenção   em   estoque   de   todo   o   material   necessário   para   produção,   no   entanto,   não   é

eficiente,  principalmente  numa  situação  de  juros  elevados.  Para  itens  com  elevado  valor  individual  e

utilização   apenas   em   número   limitado   de   modelos   e   produtos,   a   encomenda   direta   para   atender   às

necessidades   de   produção   constitui-se   na   forma   mais   econômica   de   realizar   o   seu   suprimento.   As

indústrias,  portanto,  operam  de  duas  formas,  ou  seja,  controlando  os  itens  que  devem  ser  estocados  e

aqueles solicitados por encomenda, atendendo diretamente a produção.

A rotatividade do estoque (a razão entre o volume de vendas e o estoque médio) é um coefi-ciente

frequentemente  empregado  para  indicar  a  velocidade  de  giro  do  capital  para  estimar  se  o  inventário  de

itens específicos está dentro de limites aceitáveis.

A  necessidade  de  controlar  os  estoques  deve-se  à  grande  influência  que  têm  na  rentabilidade das

empresas. Absorvem capital que poderia ser utilizado alternativamente e, por isso, aumentar a rotatividade do estoque libera

recursos e economiza o custo de manutenção de inventário.

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O  controle  geralmente  é  realizado  com  auxílio  do  computador,  tendo  em  vista  que  há  programas

especificamente  desenvolvidos  para  emissão  de  ordens  de  compra,  que  consideram  as  quantidades  em

estoque  e  realizam  as  ordens  de  compra  em  função  das  quantidades  de  produção  previstas  ao  invés  de

atender  as  necessidades  operacionais  a  partir  dos  estoques.  Essa  técnica  é  conhecida  por  cálculo  de

necessidades. A idéia é abreviar ao máximo o prazo entre chegada dos materiais e a data programada para

produção.  Os  itens  críticos  são  aqueles  que  exigem  “lead  time”  elevado,  associado  ao  fato  de  não  se

disporem   de   fornecedores   nacionais   ou   estrangeiros   que   possam   substituir   com   preço,   qualidade   e

quantidade  análogas  o  fornecedor  original,  em  prazo  reduzido,  em  caso  de  emergência.  Portanto,  quanto

mais confiáveis e menores os prazos de entrega, tanto menores serão os estoques.

3.2  A CURVA ABC

O princípio da curva ABC ou 80-20 foi observado por Vilfredo Pareto, na Itália, no final do século

passado, num estudo de renda e riqueza, segundo o qual, uma parcela apreciável da renda concentrava-se

nas  mãos  de  uma  parcela  reduzida  da  população,  numa  proporção  de  aproximadamente  80%  e  20%

respectivamente. Na administração esse princípio tem tido larga aplicação pela constatação de que a maior

parte das vendas é gerada por relativamente poucos itens da linha comercial da empresa, ou seja, 80% das

vendas provêm de 20% dos itens da linha de produtos. Embora esta não seja uma relação exata para toda

firma,  é  verdade  que  há  uma  desproporção  entre  o  valor  de  vendas  e  o  número  de  itens.  Em  termos  de

suprimento   de   matéria   prima   pode-se   construir   uma   curva   análoga,   ou   seja,   que   20%   dos   insumos

correspondem a 80% da despesa de compras. A curva abaixo representa a curva de Pareto.

A curva ABC ou 80-20 com  uma classificação arbitrária

3.3 O NÍVEL DE SERVIÇO

Nível de serviço logístico não é algo que todas as empresas entendem de forma  uniforme  quanto

aos   serviços   prestados   pelos   seus   fornecedores;   para   algumas   é   o   prazo   de   entrega,   para   outras

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corresponde  ao  percentual  de  itens  que  o  fornecedor  consegue  atender  em  cada  pedido,  imediatamente.

Em ordem decrescente, quanto à importância, assumem-se geralmente   ainda os seguintes itens:

– Tempo decorrido entre o recebimento de um pedido e despacho do mesmo;

– Lote mínimo de compra imposto pelo fornecedor;

– Precisão quanto aos itens enviados em relação aos pedidos realizados;

– Ocorrência de perdas e avarias

O nível de serviço logístico oferecido pode ser um elemento promocional tão importante quanto o

desconto no preço.

Tendo  em  vista  que  melhorias  no  nível  de  serviços  geralmente  estão  associadas  a  custos,  e  que

melhorias no mesmo não resultam, percentualmente, nos mesmos ganhos em termos de vendas, é preciso

avaliar qual o ponto a atingir em comparação com os níveis de serviço já oferecidos pela concorrência. A

figura  abaixo  representa  os  diferentes  estágios,  como  o  nível  de  serviço  afeta  as  vendas.  Admite-se  que

preços e qualidade são iguais àqueles oferecidos pela concorrência.

Relação geral entre nível de serviço da distribuição física e vendas

O  nível  de  serviço  A  corresponde  àquele  oferecido  pela  concorrência.  À  medida  que  o  mesmo
cresce,   as   vendas   continuam   a   aumentar,   mas   a   uma taxa   menor do que entre O e A; esta região. (A-
C)   é   denominada   de   retornos   decrescentes,   na   qual   opera   a   maioria   das   empresas.   As   vendas,
naturalmente, não crescem indefinidamente mas atingem um ponto máximo, (nível C). Se alguns itens do
nível  de  serviço  oferecido,  no  entanto,  se  intensificarem  ainda  mais,  como  visita  de  vendedores  para
levantar o nível de estoque e outros, os clientes começam a ficar saturados e as vendas caem.
Níveis de serviço melhores, freqüentemente, implicam em custos maiores. De modo a maximizar
o lucro da empresa, a preocupação do fornecedor, portanto, consiste em operar a um nível que lhe permita
a maior diferença entre Receitas e Custos e este é inferior ao ponto máximo observado na figura anterior.

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